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7 jul 2016

Uma cidade em (des)construção – por Carlos Alves


                            Uma cidade em (des) construção – Por Carlos Alves

                                                                      

É lindo o dia que amanhece. É lindo o sol nascendo radiando a vida. É lindo as pessoas que acordam, ainda que com preguiça para enfrentar mais um dia de luta. Mas “luta” soa mal, deve-se agradecer por mais um dia de labuta: é a dona de casa que acorda para preparar o café; é o agricultor que azucrina o ouvido do dia com o tinido do batido da enxada; é a criança que com os olhos cheios de remela a espreguiçar querendo dormir mais uns minutinhos – sem jeito – a escola as chamam e os livros vibram as folhas querendo despertar também. São vizinhas varrendo o terreiro e proseando assuntos mil adiantando as novidades do dia. É o relógio que avisa com medo aos não desocupados a hora de levantar.

O movimento na cidade começa lerdo, lento e, no processo de gradação vai aumentando. É gente de bem e gente de mal, que vai e vem, que transitam…  São caminhos que se repetem, são vidas interlaçadas pelo trabalho e pelo acaso. São vidas felizes por ter trabalho, são vidas tristes, cansadas, enfadadas da rotina massacrante.

Ainda é cedo, porém, muitos bares já estão em pleno funcionamento e com muitos apreciadores da cachaça e do caldo de mocotó. Muitos ainda são os ressacados das festas que se estendem até o amanhecer. Causa até dúvida se os bares, de fato, tiveram suas portas fechadas.

Transitam-se a pé, a moto, a carro, à bicicleta; estudantes, trabalhadores, pais com seus filhos para a escola. São pessoas que caminham apressadamente para o trabalho. Outras a caminhar, simplesmente. As portas dos comércios abrem-se uma a uma. E de repente, a cidade está em pleno movimento de idas e vindas. Os motoristas não têm noção de trânsito, amontam-se nas ruas e estacionam em qualquer lugar. Por sua vez, os pedestres não têm um pingo de medo de morrer atropelado, aliás, se o carro não tiver cuidado, é ele quem será atropelado pelas pessoas. Nas ruas do centro a imprudência, as querelas estouram a todo propósito. Os carros, o povo, tudo apertado, fechado, comprimido, esmagado, quase que sufocados pelo caos e pelo calor.

As Caminhonetes começam a se arranjar nas praças com toda gente da zona rural, que veio resolver seus afazeres: compras, banco, consultas…

O dia está em pleno vapor. O rosto de cada passante esconde segredos, aflições e sonhos. A cidade que antes pacata, já tem as marcas das grandes:  drogas, violência e assaltos constantes. Os comerciantes temerosos. Pessoas circulando com mais cuidado. Já não se pode mais confiar só nos assaltos aceitos por lei. O assalto está em alta, uma semana é no guichê de ônibus, em outra na loja de perfume, outra semana na loja de variedades, correios… e assim se alternam os assaltos. Quando acontece, quem está perto corre pra longe, quem está longe, corre pra perto.  Chega todo mundo, e por último, a polícia. Na maioria das vezes, o crime fica impune. Ninguém sabe quem foi, nem para aonde correu. Todavia, fatos curiosos, enredo de cinema, ações surpreendentes acontecem: são bandidos amarrados a postes quebrando silêncio da madrugada, bandidos baleados por policias à paisana e até o que não se imagina, incide.

Acontece praticamente de um tudo…. Os dias passam e as coisas sobrevêm!

O dia tem seu fim, pronto pra renasce…

 Mas um pouco antes da noite acordar, e o sol ceder às luzes da cidade, a casa expulsa seu moradores, e as calçadas os acolhem num abraço de paz e cordialidade. Então, as pessoas põe-se a sentar nas cadeiras e a vigiar quem passa, a conversar sobre resumo do dia, das novelas, da política.  Não falta filósofos e especialistas em políticas e entre tantos. Pense num povo sabido!

Quando a noite acorda sufocada pela a luz elétrica que também encobre as estrelas, inicia-se a rotina noturna. A praça não está mais estonteada, pois os jovens não estão mais a girar em torno dela, principalmente, nas noites alegres de sábado, que desciam em multidão da igreja após a missa para entretenimentos diversos: namoro, conversa, tomar uma gelada… No movimentos de translação os jovens ficavam a disputar por um assento nos velhos bancos que se sentiam astros reis contemplando seus planetas girarem em torno deles.  Eles, atentamente, ficavam observando a alegria e a jovialidade daquela mocidade arrumada e perfumada que desfilava na praça os quais também em silêncio sepulcral, guardou verdades secretas.

 A cidade se estendeu, a praça não é mais o único ponto de encontro. Os jovens se dissiparam entre bares, e restaurantes, e espetinhos, e pizzarias.

E a vida segue na cidade em construção. No abandono de um hospital. Numa praça nos confins, sem fim. No ponto de partida e de chegada, porém parada, ambicionando desconfiada e envergonhada, seu término, de maneira que, já não recebe o sorriso, o abraço e a saudade de quem chega, e já não chora a despedida, nem entoa o desejo de boa sorte a quem parte.

E a vida segue na cidade em desconstrução, na sua gente que a suja, na sua gente que fecha o trânsito, que quebra patrimônios, na sua gente sem respeito, sem jeito, sem “defeito”.

   Da Redação – UIRAUNA.NET 

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