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15 fev 2017

Um conto da vida real: Cinderelas. Por Carlos Alves


Cinderelas

CARLOS ALVES

 

Elas estavam do lado de fora da loja. Ao longe se notava a vergonha que elas, provavelmente, sentiam em entrar. Na vitrine, brilhava um sapato. A filha olhava curiosa. Apontava.  Queria entrar. A mãe a segurava pelo braço quase deixando a bolsa que estava pendurada no braço cair. Por um desiquilíbrio, o chinelo da mulher tora. E agora? Agora eram dois pares de sandálias cobiçados, dois olhares curiosos e um furioso. A fúria da mãe causava emoção, porque o desespero dela se multiplicou. E agora o que eu faço? Já não tinha dinheiro pra um par de sapatos, agora preciso pra dois! As duas usavam sandálias rasteiras, desgastadas pelo tempo e pela miséria. Percebia que a compra daqueles calçados já haviam sido adiado até as estrelas. E as estrelas, por onde andavam que não iluminam aquelas vidas?  A mãe parou um instante. Passou a mão na testa, limpou o suor que escorria naquele rosto preocupado e espoliado de tanta dor. A filha tão miudinha já estava agoniada. As pessoas passavam na calçada, mas ninguém, mais ninguém notava aquela cena! Elas chegaram mais perto da porta. A mãe correu os olhos e decidiu entrar. Não demoraram muito. Saíram. As cinderelas saíram sem os sapatos. Na certa, também não podiam contar com príncipe algum. Contavam apenas com a vida que, aparentemente, lhes negava o pouco que elas queriam.

  Nas calçadas da rua em movimento, elas continuaram andando… A mãe, em um gesto natural, guardou a sandália torada na bolsa preta, onde também guardou a vergonha. Naquele instante, nada mais lhe importava! A filha já mais calma, segurava forte a mão de sua mãe. Na calçada da desigualdade, elas caminhavam sem olhar pra trás: a menina ainda bailando com os chinelinhos, que durariam alguns poucos dias, e a mãe, com um pé nu e o outro coberto de esperança.

 

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Da Redação – UIRAUNA.NET 

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