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7 jul 2015

“Teríamos um jornalismo melhor se os âncoras se posicionassem”, diz Boechat


maxresdefaultHá 10 anos na rádio BandNewsFM e no “Jornal da Band”, Ricardo Boechat chama atenção pelo seu jeito desbocado e sua sinceridade. Os ouvintes e os telespectadores são tratados como membros da família do jornalista e já estão acostumados com a sua postura opinativa. E seguindo a linha “gente como a gente”, ele garante não interpretar tipos. “Não tenho um personagem para consumo público e outro para consumo privado”, afirma.

Em entrevista ao UOL, o repórter, que completa 62 anos no próximo dia 13, defendeu o posicionamento de apresentadores de telejornais, criticou a reformulação do “Jornal Nacional”, dissertou sobre a possibilidade de se aposentar e confessou que nem sua mãe ‘confia’ nele para contar segredos. Após uma “bronca” de sua “querida Veruska”, ele reconheceu que tem “extravasado” nos palavrões.

“Acho fundamental associar a figura do âncora com a de alguém que opina. Porque, caso contrário, você tem um leitor de textos. Eu aprendi a ler com quatro anos, não é por isso que estou sentado naquela bancada. Tenho a impressão de que teríamos um telejornalismo mais atraente e que prestaria um serviço melhor à população se os seus apresentadores analisassem as notícias, se posicionassem diante dos fatos, diferentemente do que acontece no Brasil”, observou Boechat.

Ele criticou ainda o formato clássico dos telejornais, que seguem a mesma linha de apresentação desde década de 1960. Para o jornalista, mudança vai além de colocar o apresentador para percorrer o estúdio, referindo-se à reformulação do “Jornal Nacional”, da Rede Globo. “Aqui, quando se fala em inovar um modelo de telejornal, faz com que o âncora se levante da cadeira. Desculpe, mas esse movimento básico eu também aprendi quando criança. Nem âncoras merecem ser chamados, pois não estão ancorando nada, não estão exercitando a opinião, não estão correndo risco.”

“Como é possível que diante de uma realidade como a nossa, com a quantidade de fatos surpreendentes que produzem, você fique ali lendo a cabeça da matéria e passando para seguinte com o mesmo procedimento e, no fim, emposta a voz e dá ‘boa noite’? Uma voz empostada, um locutor de supermercado precisa ter. Me parece que há um pouco mais de responsabilidade e demanda, diante da função que exerço e procuro fazer isso me posicionando, interpretando os fatos de acordo com as minhas convicções e ponto de vista”, defendeu.

E seguindo essa filosofia de seguir riscos, ao discutir a intolerância religiosa em seu programa, o jornalista disse que o pastor Silas Malafaia “roubava dinheiro dos fiéis” e o mandou “procurar uma rola”. O assunto rapidamente repercutiu nas redes sociais e também na própria Bandeirantes, já que o evangélico possui um horário na grade (“Vitória em Cristo”). “Não sei se o pastor Malafaia ligou para o Johnny Saad (dono da TV Bandeirantes), certamente se ligou deve ter sido atendido porque eles se conhecem. Mas a mim não chegou nenhum reflexo [da possível conversa]. A única coisa que ouvi na Band foi que peguei pesado”, contou.

O vencedor de três prêmios Esso de Jornalismo – um dos mais importantes da área – questionou também o alvoroço em torno da repórter Maria Júlia Coutinho, que virou notícia quando Bonner resolveu chamá-la por seu apelido, “Maju”, no “JN”.

“Quando a vi na capa do jornal ‘Folha de S.Paulo’ [por conta do apelido], fiquei me perguntando o que de pertinente ao telejornalismo tinha acontecido. Temos a primeira garota do tempo negra no ‘Jornal Nacional’, e deveríamos nos perguntar por que não temos nem no ‘Jornal da Band’, nem em outros há mais tempo. Mas digamos que se é esse o único fato inovador, nós estamos devendo novidades ao telespectador”, analisou.

UOL

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