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20 mar 2015

Somos mais do que “bandas dos anos 80”, diz vocalista do Biquini Cavadão


  • alvaro-birita-bateria-bruno-gouveia-vocal-no-alto-carlos-coelho-guitarra-e-miguel-flores-teclado-1426727245572_615x470Álvaro Birita (bateria), Bruno Gouveia (vocal, no alto), Carlos Coelho (guitarra) e Miguel Flores (teclado)

Eles são, assumidamente, um dos grupos mais discretos do rock brasileiro. Resultado de uma espécie de via de mão dupla. A mídia não procura demais oBiquini Cavadão, nem o Biquini Cavadão procura demais a mídia. A análise é do próprio vocalista Bruno Gouveia, que, a partir de abril, embarca para mais uma turnê pelo Brasil, agora comemorando os 30 anos do primeiro show profissional do grupo. “Não gosto de confusão. Nem de criar confusão. Não é o meu estilo”, entende.

O aniversário, completado no último dia 16, também marca o lançamento do CD e DVD “Me Leve Sem Destino”, gravado ao vivo no Palácio da Música Oscar Niemeyer, em Goiânia. Cidade de boas recordações para o músico mineiro, desde a infância radicado no Rio. “Era onde eu passava minhas férias escolares, quando tinha nove, dez anos. Onde moravam todos os meus primos. É especial.”

Na conversa por telefone, Bruno fala ainda sobre como é ser um cara comum no showbusiness, alguém “do povo”, quase “um Zé Ninguém”. Também comenta a geração 85 e o desafio de soar relevante em tempos de downloads, streamings e de um mercado de rock cada vez mais pulverizado.

“A gente não está preso ao passado. O Biquini Cavadão surgiu na década de 80, junto de Paralamas, Capital. Mas falar que somos ‘banda dos anos 80’ é ser muito limitado. Somos mais. Pra mim, bandas dos anos 80 são as que começaram e acabaram nela.”

Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

UOL – O Biquini está completando 30 anos da estreia profissional. Como foi esse show?

Bruno Gouveia – Foi no Circo Voador, no Rio, num festival chamado “Medidas de Impacto”. É interessante essa história. O Tancredo iria assumir no dia 15, e ele havia prometido uma série de medidas depois dos 20 anos de regime militar. Mas ele acabou não assumindo. O “homem de bigode” ficou no lugar dele.
Fizemos esse show com o Escola de Escândalos, de Brasília, e com outras bandas que estavam começando. Foi curto, mas foi o primeiro profissional. O dinheiro que a gente ganhou deu pra comprar uma pizza.  Com a gente tudo começou em pizza, ao contrário de algumas coisas neste país (risos).

Por que gravar o novo DVD em Goiânia?

Por vários motivos. Primeiro porque tínhamos gravado nosso primeiro DVD, dez anos atrás, em Fortaleza. E foi um DVD importante para nós. Todo mundo perguntou, na época, o motivo de gravar lá. Pô, a gente viaja o Brasil inteiro, e as pessoas ficam muito no eixo Rio-São Paulo. Como já havíamos gravado no Sudeste e Nordeste, resolvemos ir para i Centro-Oeste. Em Goiânia a gente tem um público muito alegre e fiel. Nos recebeu com muito carinho.

E há razões particulares também. Nasci em Ituiutaba, em Minas, e com quatro anos vim para o Rio. Mas era em Goiânia onde eu passava minhas férias escolares, quando tinha nove, dez anos. Onde moravam todos os meus primos. É especial. Conhecia a cidade como a palma da minha mão. Mas hoje mudou tanto que eu até me perco.

Soar relevante ainda é um desafio?

A gente gosta muito de fazer o que faz. As pessoas têm uma impressão errada do que é ser o Biquini Cavadão hoje. E, algumas vezes, elas acabam se surpreendendo com o show. É sempre muito intenso. Lançar um DVD é sempre legal por isto: o registro do show serve muitas vezes para mudar a opinião das pessoas. A gente toca como se fosse uma banda estreante mesmo, com muito pique e energia.

Sobre renovação e tudo mais, eu continuo ouvindo tudo que está saindo. Eu gosto de rock. Gosto de conhecer coisas novas. Nacionais ou estrangeiras. Escuto com muita curiosidade. Se eu gostar, vou procurar saber mais sobre aquilo, me influenciar com aquela sonoridade.

Vocês se identificam com as outras bandas da geração 80?

Olha, a gente não está preso ao passado. Gosto de dizer o seguinte: o Biquini Cavadão surgiu na década de 80, junto de muitas outras bandas. Junto do Paralamas, do Capital. Mas falar que somos ‘banda dos anos 80’ é ser muito limitado. Somos mais. Pra mim, bandas dos anos 80 são as que começaram e acabaram nela.

E a renovação é constante. Nós, inclusive, só estamos aqui hoje porque o público foi renovado. Quem nos conheceu 30 anos atrás nem sempre vai sair para assistir a um show. A grande maioria é de gente que tem de 25 anos pra baixo. Que quer sair de casa, que não se importa em ficar em pé numa fila. Não somos uma banda de fazer shows para mesas e cadeiras, com as pessoas calmamente assistindo.

Da sua geração temos o exemplo do Dinho Ouro Preto, que gosta de manter a aparência jovem, e, do outro lado, um Humberto Gessinger, que se diz orgulhoso ao cultivar a barba branca. De que lado dessa moeda você está?

Acho que eu fico mais ou menos no meio do caminho (risos). Por exemplo, tem hora que alguém fala: “Pô, Bruno, você tá com cabelo branco, dá uma retocada”. Mas, pra mim, está tudo joia. Ao mesmo tempo, eu me preocupo em chegar aos 50 e cuidar da saúde. Se eu tento emagrecer, não é para ser “Peter Pan” de rock’n’roll. Não é pelo fato de eu querer ser criança.

E o que a gente escreve não é “Peter Pan”. Nossas músicas são reflexo do que a gente está vivendo, sem nos prendermos a um ideal ou a um discurso adolescente. Na parte “estética”, digamos assim, faço muito pouco. Não faço lipo nem coloco botox. Não sou metrossexual (risos).

Você é um dos vocalistas mais discretos da geração 80. Por quê?

Não gosto de confusão. Nem de criar confusão. Não é o meu estilo. Sou um cara que não usa drogas, nunca usei. E isso acaba criando armadilhas. É fato. Normalmente quem usa drogas acaba fazendo coisas por causa das drogas que usam. Não é o meu caso. Também há pessoas que fazem de tudo para aparecer. E a mídia costuma escolher essas pessoas para dar ênfase. E também não é o meu caso. Acho que sou discreto. Não fico correndo atrás dsse tipo de coisa.

A imprensa poderia estar bem publicando agora uma grande manchete “fantástica”, do tipo “Bruno empurra carrinho de bebê da filha no calçadão de Copacabana”. Mas não acontece. Não tenho nada contra a mídia. É muito importante para as pessoas conhecerem nosso trabalho. Mas aprendi, desde cedo, que, se eles não querem te dar atenção, não é para você ficar na calçada chorando.

Por que você nunca lançou um projeto solo?

Porque tudo que eu quis fazer artisticamente o Biquini me supriu. Já fiz projetos muito legais. Encerrei agora uma série de CDs com grandes clássicos do rock para bebês, com melodia instrumental. Já participei de “n” discos, de músicos que me convidaram, com muito prazer e humildade.

No Biquini, nós somos quatro compositores e três letristas. E as decisões são tomadas de comum acordo. E, na maioria das vezes, o pessoal gosta das minhas coisas e acham que devemos gravá-las. É por isso que eu nunca levei adiante um disco solo. Mas, no futuro, se eu sentir necessidade, quem sabe?

1985 foi um ano histórico para o rock nacional, que ali de fato nasceu comercialmente. O que a esse cenário, com o surgimento e o sucesso de tantas bandas?

Acho que o ponto principal é que estávamos na esperança de uma nova era. Era o ano que o presidente civil voltaria. Estávamos realmente virando a página do regime militar. E, com isso, criou-se um foco muito grande.

O rock, nessa história toda, tinha a vantagem de ser um tipo de linguagem ideal para pessoas que passaram 20 anos com a mordaça na boca. Havia um desejo do público de externar o que não gostava, que estava engasgado. Coube como uma luva ali. As pessoas podiam subir e dizer corajosamente o que sentiam.

UOL

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