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25 jan 2015

Professora de Educação Física é a Beleza Negra do Carnaval 2015


Título de Deusa do Ébano 2015 foi concedido a Alexandra Amorim, de Itapuã

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Alexandra Amorim concorria pela quarta vez

A escolhida para o título de Rainha do Ilê Aiyê 2015, a Beleza Negra do Carnavaal 2015 em Salvador, é a baiana do bairro de Itapuã, Alexandra Amorim, 33 anos, professora de Educação Física, que estava concorrendo pela quarta vez.

Para ela, os fatores determinantes dessa conquista foram perseverança, saber dançar, simpatia e a consciência de ser negra e desse papel na sociedade.

“Meu pai saía todo ano no Ilê e, certa vez, ele falou: um dia você vai ser Deusa do Ébano e vai dançar que nem a mulher lá em cima. Em 2010, eu tentei pela primeira vez, ele estava vivo aqui na quadra, mas não consegui. Agora, já na quarta vez, ele não está presente fisicamente, mas acredito que, onde for, também deve estar em festa”, declarou Alexandra, que dedicou sua conquista à família.

O segundo lugar foi para a manicure Larissa Oliveira, 21 anos, do bairro de Cajazeiras, e o terceiro para universitária Milena Sampaio, 30 anos, do Cabula.

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As 3 vencedoras  – Foto: ANdré Frutuoso

Elas receberam o título de princesas e, neste ano, o Ilê Aiyê concede pela primeira vez o privilégio de elas também desfilarem, no bloco, durante o Carnaval.

O presidente da instituição, Vovô, lembrou que a eleição da Deusa do Ébano é uma das principais ações afirmativas do Ilê. “Vivemos numa terra muito racista, então fazer uma festa com essa estrutura é uma grande conquista. Fico triste com alguns setores nossos que ainda têm o ranço da escravidão mental. Mas hoje a noite é de festa e estamos preparados para fazer um grande Carnaval”.

O desfile das candidatas teve figurino de amarrações afro assinado pela estilista do Ilê Aiyê, Dete Lima.

Foram reverenciadas mulheres negras que lutaram, conquistaram espaço e fizeram história: Zezé Motta, que protagonizou o filme Xica da Silva (1976), Mãe Hilda Jitolú, que foi dirigente espiritual do Ilê por muitos anos, e Dona Ivone Lara, matriarca do samba e uma das primeiras intérpretes do gênero, exaltada por Juliana Ribeiro e Aloisio Menezes, que invadiram a plateia e reuniram o público numa grande roda de samba ao som de “Alguém Me Avisou”, de autoria de D. Ivone.

A homenagem para Zezé Mota aconteceu com uma encenação tendo à frente a atriz e cantora Denise Correia. Um dos momentos de maior emoção, no entanto, foi durante a homenagem à Mãe Hilda Jitolu, representada pela integrante da diretoria do Ilê Aiyê desde 1986, Arany Santana.

A cena contou com performance de dança da bailarina solista Nildinha Fonseca e participação das crianças da Escola Mãe Hilda e Band’erê. A noite ainda foi animada com show de Lazzo e participação do jamaicano Dr. Norris Weir.

 

  iG

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