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28 maio 2017

Pra não dizer que não falei das dores


                                                                           Por Carlos Alves

Caminhando e cantando e seguindo a canção. Somos todos iguais nas desgraças e nas dores. Ah, as dores! Elas são múltiplas e mútuas. Da física à psicológica. Arregaça corpo, mente e alma.  Ela não se mede, se repete, a dor.

A dor da saudade perambula querendo um reencontro. A dor de amar e desamar vivem no impasse de desencontros. A dor que se sente e não consegue identificar onde dói, é a dor da desilusão, da aflição, que se tenta arrancar com mão. A dor da solidão, mesmo em meio à multidão. A dor do medo, o medo da morte, da velhice, do instante, de ver perecer os sonhos. A dor da perda, a dor de não ter vivido tudo que se tinha para viver. A dor da decepção, que derruba a ilusão. A dor de não ter tentado, a dor de poder ter conseguido se tivesse tentado. A dor de viver, do bem querer, a dor do mal querer. A dor da batalha perdida, a dor da guerra perdida. A dor de tudo querer e nada poder. A dor de poder e não querer. A dor de ver desabando o que se constrói em anos. A dor da alegria, cuja a tristeza vem em seguida. A dor não de ter amado, intensamente, os dias…

A dor, a dor, a dor, que não se cura com anador, é até aliviada com uma garrafa de licor. A dor que o tempo leva, mas de volta a traz o vento, com furor.

 A dor da voz que não ecoou, das mão que não lutou, da língua que calou, dos olhos que não enxergou, do olfato que não sentiu o doce cheiro da vida, dos ouvidos que não escutaram o lindo acorde da lira, dos pés que logo se cansaram e não chegaram no destinatário. A dor de cotovelo, de quem um dia sem medo, se enveredou no caminho torto do amor.

A dor, a dor, a dor, que não se cura com anador, é até aliviada com uma garrafa de licor. A dor que o tempo leva, mas de volta a traz o vento, com furor.

A dor da fome, de quem morre sem comida, sem guarida, sem nome. A dor da vergonha, de quem, pena ainda sente, dessa gente sem alento. A dor da revolta, do ensejo por dias melhores. A dor do desgosto, de quem bebe sem tira-gosto. A dor de quem tá perdido, sem a luz que o alumia. A dor dos covardes, que se esconde na lama como porcos imundos, se lambuzam no chiqueiro, com a lavagem alheia.

A dor do corpo, da cabeça, ela vai da ponta do pé ao fio de cabelo, que traga a vida como um pesadelo. A dor que arde, infla, inflama peito, pulmão, deixa sem ar, sufoca a respiração. A dor de tudo, a dor de todos. A dor, a dor, a dor que passa com anador, mas não passa com um litro de licor.

O mundo deseja amar em paz, as pessoas desejam viver leve, sem opressor. Um sonho quase impossível, numa vida indigna, dominada pela dor.

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Carlos Alves

Da Redação – UIRAUNA.NET

 

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