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19 jun 2017

Potência paralímpica, PB só tem programa de alto rendimento em oito cidades


A Paraíba tem muito o que comemorar na Paralimpíada Rio 2016. O paratleta Petrúcio Ferreira conquistou medalhas nas três provas que participou no evento e uma delas foi de ouro, nos 100m rasos da classe T47. Além dele, os paraibanos do futebol de cinco também trouxeram ouro para casa. Eles conquistaram todos as medalhas de ouro desde que a modalidade estreou na competição, em 2004. Os paraibanos do goalball voltaram com o bronze.

Como se vê, esporte paralímpico é coisa séria na Paraíba, ao menos no que diz respeito aos resultados conquistados nas principais competições do mundo. Mas a verdade é que isso acontece ainda apesar da falta de investimento público, e não por causa dele.

A prova definitiva sobre essa dura realidade pôde ser comprovada em pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que mostrou que das 223 cidades da Paraíba, em apenas 18 delas existe algum programa de incentivo ao esporte paralímpico. Quando se refere apenas ao esporte paralímpico de alto rendimento, o número é ainda mais baixo: oito. Isso significa que em mais de 200 municípios paraibanos não existe um único incentivo, ainda que o Estado sempre conquiste medalhas paralímpicas.

O estudo do IBGE analisou os invenstimentos públicos no esporte em2016 e coletou dados de todos os 5.570 municípios do Brasil.

O campeão paralímpico de atletismo, Petrúcio Ferreira, concorda com o resultado da pesquisa.

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A mesma opinião tem o técnico da seleção brasileira de futebol de cinco, Fábio Vasconcelos.

O treinador paraibano participou dos quatro títulos paralímpicos da equipe, primeiro como goleiro e depois como técnico (a equipe brasileira é campeã de todas as medalhas de ouro desde a entrada do futebol de cinco na Paralímpiada, em Atenas 2004).

Mas, para ele, que no Rio comandou um time que tinha outros três paraibanos (os paratletas Damião Robson e Marquinhos e o goleiro Luan), a falta de investimento barra a descoberta de novos talentos:

– Nós não temos renovação. Eu acho que tem que começar lá de baixo. Nos institutos, nas escolas. Ir atrás destes alunos nas escolas e trazê-los para treinar com a gente.

Mas nós precisamos de estrutura e segurança. Muitas vezes os pais não deixam os seus filhos com deficiêencia saírem de casa porque têm medo de que algo aconteça. Os institutos são importantíssimos. O instituto de Campina Grande, por exemplo, precisa de apoio. Até para conseguir um prestador de serviço lá é difícil, pois eles não têm apoio – lamentou.

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O Governo da Paraíba realiza os dois programas que ainda facilitam um pouco a trajetória do esporte paralímpico paraibano. Mas não é suficiente. Do ponto de vista do paradesporto de alto rendimento, o programa Bolsa Atleta dá uma bolsa para atletas que obtenham bons resultados em competições internacionais, nacionais e regionais.

Na base, apenas oito competições de nível escolar foram realizadas em 2016. E os Jogos Escolares Paralímpicos foram o maior deles.

Para o técnico Pedro Almeida, de atletismo, que treina Petrúcio, o cenário na Paraíba não é o ideal:

Ainda assim, ele admite que no passado as coisas era ainda piores e mais difíceis para os atletas com deficiência:

– Hoje já existe uma política como o Bolsa Atleta. Então, olho para isso com otimismo. Espero que nos próximos anos tenhamos ainda mais investimentos – afirmou.

O lazer também é relegado

Os números paraibanos melhoram um pouco (só um pouco mesmo) quando se trata de investimento em projetos de esporte para lazer. De acordo com a pesquisa do IBGE, 22 municípios paraibanos investiram em programas que fomentaram no ano passado a prática de esportes para o público deficiente.

São números melhores do que aqueles apresentados pelo esporte paralímíco, mas ainda assim é mínimo. Porque nada menos do que 201 municípios paraibanos não possuem atividades de lazer para intergrar a população com deficiência.

 
Fonte: Globo Esporte – PB

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