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2 abr 2015

Morre aos 106 anos o cineasta português Manoel de Oliveira


o-cineasta-manoel-de-oliveira-1414150981939_300x300Morreu, nesta quinta-feira (2), em Portugal, o cineasta Manoel de Oliveira, aos 106 anos. De acordo com a imprensa portuguesa, ele estava na sua casa, na cidade de Porto. A vida dele se confunde com a do próprio cinema. O diretor português começou a fazer filmes em 1927 e continuou trabalhando até os dias de hoje, com sua produção apenas se intensificando nas últimas décadas. Assinando 32 longas, foi o cineasta que mais tempo ficou em atividade.

A Mostra de São Paulo exibiu em 2014 o último curta do cineasta, “O Velho do Restelo”, se baseia no famoso episódio de “Os Lusíadas” de Camões, quando um ancião critica a ambição e busca de aventura dos portugueses.

Na ocasião, o UOL conversou com o produtor do curta Luís Urbano, que comentou o tom de despedida do último trabalho de Oliveira. “Essas questões que o Manoel coloca no filme como ‘destino’, ‘o que são vitórias?’, ‘o que a gente leva desta vida’; são temas que ele já explorou antes e que talvez agora explore com mais atenção”. Urbano falou dos dificuldades das gravações devido à idade do cineasta, que chegou a ser hospitalizado duas vezes durante as filmagens.

Em 2011, entrevistado pelo jornal português “Diário de Notícias”, Manoel de Oliveira afirmou que não tinha medo da morte. “Do sofrimento, sim, a morte não”. E revelou que acreditava que o mundo espiritual é uma porta para um outro plano .”E agora, pensando melhor, realmente, quando se morre, solta-se o espírito. O espírito é como o ar que sai. E o espírito sai e junta-se. Ao sair, perde a personalidade, onde está todo o bem e todo o mal, liberta-se desse bem e mal e junta-se ao absoluto, que é a configuração do espírito, o absoluto. É Deus.”

Trajetória

Oliveira nasceu na cidade de Porto em uma família da alta burguesia. Seu pai, Francisco José de Oliveira, foi o primeiro fabricante de lâmpadas de Portugal.  Estreou como diretor aos 23 anos com o documentário “Douro, Faina Fluvial”

Em 1955, Manoel foi à Alemanha fazer um curso intensivo sobre cor. Aplicou a técnica no documentário “O Pintor e a Cidade”, um dos primeiros filmes coloridos de Portugal.

Oliveira começou a produzir quase um filme por ano a partir da década de 1980, sempre abordando temas diversos. O cineasta trabalhou com grandes atores, como John Malkovich e Alfredo Mastroiani. Ele recebeu o Leão de Ouro do Festival de Veneza de 1985 com o filme “O sapato de cetim” e o prêmio do júri em Cannes com “A Carta”, em 1999.

Em 2014, Manoel foi o quarto português reconhecido pela França como grande oficial da Legião de Honra. A distinção lhe foi entregue pelo embaixador da França em Portugal, Jean-François Blarel, em uma cerimônia no museu da Fundação de Serralves, importante instituição cultural da cidade natal do cineasta.

Como ator, trabalhou em cinco filmes: “Fátima Milagrosa” (1928), “A Canção de Lisboa” (1933), “Conversa Acabada” (1980), “Cinématon #102” (1981) e “Lisbon Story” (1994), este último de Wim Wenders. Oliveira deixa esposa, quatro filhos e vários netos e bisnetos.

*Com informações de agências internacionais

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