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9 nov 2016

Moradores aproveitam crise hídrica e vendem água no Agreste da Paraíba


Em meio à crise hídrica, alguns moradores da cidade de Soledade, no Agreste paraibano, resolveram aproveitar o momento caótico e empreender na venda de água no município. Um empresário perfurou poços artesianos e várias pessoas compram a água retirada no local para revender e gerar renda. A situação foi destaque no Bom Dia Paraíba desta terça-feira (8).

Soledade sofre com a falta de água há muito tempo. No início, a localidade era abastecida por um açude que leva o nome da cidade, mas, atualmente o manancial está com apenas 1,9% da capacidade. Agora, o município é abastecido pelo Açude Epitácio Pessoa, conhecido por Boqueirão, que está com 5,9% do volume.

00001O morador Alisson Renan diz que o sofrimento do povo virou comércio. “A situação é complicada. Chega água a cada 15 dias. Um dia da semana só. E hoje se tornou um comércio. Muita gente vive apenas disso”, lamentou.

Lanchonete substituída por venda de água

Um casal que resolveu investir no ramo foi Maria José Oliveira e William Santos. Eles tinham uma lanchonete e fecharam o estabelecimento. A dupla compra água de um empresário e vende pelas ruas em um recipiente de 200 litros acoplado a uma motocicleta.

“Apareceu justamente a oportunidade após poços artesanais abrirem. Foi quando a gente viu a oportunidade de comprar e revender água para as pessoas”, disse Maria José, que é responsável por pilotar o veículo e fazer as negociações.

O marido dela, William Santos, diz que mesmo com a falta de água, as contas da Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa) continuam chegando. “Eu parei de pagar porque eu não vou pagar uma coisa que eu não estou usando. Hoje a gente tá comprando de um poço. Quando não estou em outro serviço, coloco água pra vender”, afirmou.

0002Poço e dessalinizador são opção

O empresário responsável pela perfuração dos poços, Itamar Sousa, explica de onde surgiu a ideia de construir o galpão e adquirir um dessalinizador. “A gente viu as necessidades da região e viu a oportunidade de investir no ramo. Temos vendido 200 tambores de 200 litros por dia e oito caminhões-pipa de 12 mil litros”, disse ele.

No final da cadeia do negócio está o morador Hamilton Guimarães. Ele relata que há cinco meses não recebe água encanada e ainda paga as contas enviadas pela Cagepa. “Quando chegava por aqui era por volta das 2h da madrugada e acabava às 2h30”, disse.

Cagepa vai analisar problema

Em contato com a reportagem, o gerente regional da Cagepa, Ronaldo Menezes, informou que vai enviar uma equipe técnica a Soledade para identificar possíveis problemas e tomar as medidas cabíveis.

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