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3 abr 2017

Luis Fabiano é suspenso por 4 jogos por peitada em árbitro


O atacante Luis Fabiano, do Vasco da Gama foi suspenso por quatro jogos por ter peitado o árbitro Luiz Antonio Silva Santos no clássico contra o Flamengo, em Brasília, em 26 de março, pelo Campeonato Carioca. A decisão foi tomada de forma unanimê na noite desta segunda-feira no TJD-RJ (Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro).

A expulsão ocorreu aos 8 minutos do segundo tempo, quando o placar apontava 1 a 0 para o Vasco. Luis Fabiano recebeu primeiramente o cartão amarelo ao derrubar o volante Márcio Araújo numa tentativa de carrinho. Revoltado, ele afirmou: ‘Você vai me dar cartão?”, e acabou peitando o árbitro, que chegou a se desequilibrar, mas não caiu. Na sequência, Silva Santos expulsou o vascaíno, que reagiu com dois dedos em riste.

Luis Fabiano foi denunciado pela procuradoria do TJD-RJ em três artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): 250 (ato hostil), 258 (conduta contrária à ética desportiva) e 243-F (ofender a honra do árbitro). As penas poderiam chegar a 15 jogos de suspensão, se fossem somadas, além de multa entre R$ 100 e R$ 100 mil.

Luis Fabiano foi punido com dois jogos no artigo 250 e mais dois jogos pelo artigo 258. Mas escapou de punição no artigo 243-F. O relator absolveu o jogador e disse que não viu ofensa ao árbitro no lance. Também foi absolvido pelas supostas palmas que bateu ao sair de campo, dizendo não haver provas de que ele foi irônico.

Advogado do Vasco, Paulo Rubens Máximo, chegou a falar em cena “hilária”, atuação “mambembe” e “espalhafatosa” do árbitro, afirmando que ele simulou a agressão. Um dos relatores do TJD-RJ rebateu. Falou em “espírito de macheza”, atitude inaceitável de Luis Fabiano, mas criticou o árbitro pela suposta simulação. Disse que o ato de Silva Santos fez o futebol carioca “ter virado motivo de chacota no país”.c86smg1lv7jzd3ptdziedwffr

Vale lembrar que Luis Fabiano já cumpriu um jogo no Campeonato Carioca. Portanto, faltam três partidas para ele pagar a pena.

“A decisão judicial ou a gente concorda ou desconcorda. Creio que o Vasco da Gama vai descordar”, disse Rubens Máximo, admitindo que buscará recurso.

Após toda a apresentação do caso, Luis Fabiano foi o primeiro a ser chamado para depor. Acompanhado do advogado do Vasco, Paulo Rubens Máximo, ele disse que foi abordado várias vezes de forma ofensiva por Silva Santos duante o jogo. Também afirmou que isso ocorreu com outros jogadores, que passaram a sofrer com ameaças do juiz.

“Estava me buscando, falando coisas agressivas e me ameaçando. Dizia que ia me pegar e ia me expulsar”, disse Luis Fabiano durante seu depoimento.

“Em nenhum momento quis agredir o árbitro ou ofender ele. Quando tomei o amarelo me dirigi a ele e disse: ‘Você vai fazer isso comigo?'”, acrescentou.

“Depois que recebi o cartão vermelho, fiquei indignado e falei: ‘Isso é molecagem’. Não como está na súmula que o chamei de moleque, que é diferente”, disse.

Após se explicar, Luis Fabiano foi questionado pelos procuradores. Chegou a ter o histórico de expulsões relembrando, mas disse que jamais foi expulso por agredir árbitros.

Depois voltou a se explicar sobre o lance ocorrido, com novos questionamentos dos procuradores do TJD-RJ sobre o ocorrido em Brasília.

“Primeiro que no lance do cartão amarelo eu escorreguei e não quis agredir o adversário [deu um carrinho em Márcio Araújo]. Depois, com a encenação toda e com o cartão vermelho, acabei me exaltando. Em nenhum momento agredi ou quis agredi-lo”.

“Me senti perseguido. Se tentasse falar com ele, ele me respondia de maneira diferente daquela que usava com outros atletas. E falava com agressividade comigo. Isso é antidesportivo. Não podia ter dialógo com ele, ele não permitia”, acrescentou.

Sobre a peitada, ao ser questionado se encostou no árbitro, respondeu:

“Tive um leve contato sim, mas parei para não agredi-lo. Futebol é contato. No pênalti contra o Flamengo todo mundo do Flamengo encostou no árbitro. Se é assim, o critério tem de ser o mesmo para todos”, disse Luis Fabiano.

O atacante insistiu que o árbitro encenou a agressão. Encerrou o depoimento dizendo que bateu palmas para torcida ao deixar o campo e não para ironizar o árbitro.c86smg1lv7jzd3ptdziedwffr

Luiz Antonio Silva Santos falou logo depois de Luis Fabiano. Logo de cara foi questionado se teria ofendido Luis Fabiano ao longo do jogo contra o Flamengo.

“Quais seriam essas palavras que eu teria dito [a ele] e o ofendido?”, rebateu o árbitro. Ao ser avisado que deveria responder “sim” ou “não”, disse: “Não”.

“O que foi relatado na súmula foi o que houve. Ele me chamou de moleque, mal intencionado”, repetiu o árbitro ao ser perguntado sobre o que ele registrou na súmula. “Me senti ofendido moralmente”, concluiu sobre o episódio.

Questionado se Luis Fabiano encostou nele, disse: “Sim”. Em seguida, perguntado se isso o desequilibrou no gramado, afirmou: “Sim”.

“Eu chamo os jogadores pelo nome, quando eu sei o nome, senão eu chamo pelo apelido que eles usam. Ou até mesmo [os chamo de] ‘Meu filho'”, disse Silva Santos, negando ter ofendido Luis Fabiano durante o jogo.

Em seguida, foi questionado se chegou a ameaçar o atacante de expulsão.

“Sim. Existem formas de controlar o jogo. São estratégias da arbitragem. Se [o jogador] fizer falta, se persistir [nesses lances], ele é advertido e ouve que vai ser colocado para fora”, explicou o árbitro, negando ter ameaçado Luis Fabiano.

Santos Silva disse que redigiu a súmula no hotel, após a partida, ou seja, já ciente de que estava suspenso pela Ferj por conta da polêmica no clássico (marcou um pênalti inexistente para o Vasco, após a bola bater na barriga de um jogador do Flamengo).

“Redigi no hotel tendo em vista que o delegado da partida não estava mais no estádio. Redigi a súmula mediante a fatos acontecidos no campo de jogo”, disse, admitindo ter visto as imagens do jogo na TV antes de fazer a súmula. E também afirmou que entregou o documento no outro dia para a Federação do Rio de Janeiro.

O árbitrodisse que já sabia que estava suspenso pela Ferj ao redigir a súmula. Segundo ele, tomou ciência da punição por 30 dias no vestiário do Mané Garrincha, após a partida, mediante mensagem remetido ao celular do assistente Diego Barcelos. Mas fez questão de dizer que a suspensão ocorreu pelo erro no pênalti, mas não pela expulção.

Silva Santos também afirmou que jamais fora afrontado com tamanha ira por um atleta. Também disse que o meia vascaíno Nenê falou: “Ele errou, mas dá uma segurada [na expulsão]”, tentando defender Luis Fabiano clássico.

O meia Andrezinho, do Vasco, e o diretor de competições da Ferj, Marcelo Vianna, foram as testemunhas da defesa de Luis Fabiano.

O primeiro disse que Luis Fabiano usou a palavra “molecagem” e não “moleque” ao questionar o árbitro. Também disse que havia vários jogadores ao redor de Silva Santos, todos falando e gesticulando ao mesmo tempo, dificultando a identificação deles.

O segundo, que exerceu o papel de delegado da partida em Brasília, e disse que 90% das vezes as súmulas são feitas no vestiário dos estádios, mas lembrou que os árbitros têm até 72 horas após a conclusão do jogo para apresentar à federação a súmula.

Também disse que foi embora juntamente com o árbitro e não antes.

Foram utilizadas como base a súmula do árbitro Luiz Antonio Silva Santos, o Índio, vídeos e reportagens do jogo. No documento, Silva Santos escreveu que Luis Fabiano “partiu para cima” dele, o “afrontando”, enquanto ele lhe mostrava cartão amarelo por falta em Márcio Araújo, no empate de 2 a 2 entre Vasco e Flamengo, em Brasília.

“No susto, com sua atitude, ainda tentei dar um passo para trás, a fim de evitar contato, mas ainda assim o jogador vem para cima, tocando o seu peito no meu, me levando ao desequilíbrio. Ainda tive que usar os braços para evitar ir ao chão. Após essa atitude desrespeitosa e agressiva, apliquei cartão vermelho direto”, escreveu Índio na súmula.

Na súmula, o árbitro também diz ter sido ofendido por Luis Fabiano. “Após me recompor, fui cercado por alguns jogadores do Vasco, que tentavam a todo custo que mudasse a minha decisão. O jogador expulso, continuou afrontando, colocando os dois dedos junto ao meu rosto, intimidando e dizendo: ‘Você é moleque, safado, mal intencionado'”.

“O jogador do Vasco, Andrezinho, insistentemente segurava seu companheiro, tentando afastá-lo, mas ele ainda vinha por trás, pela frente, dava voltas até se afastar, e no momento da saída do campo batendo palmas ainda foi segurado pelo técnico que tentava contê-lo e acalmá-lo”, relatou o árbitro Luiz Antonio Silva Santos.

Fonte: ESPN

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