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16 dez 2016

Leia e descubra – O Curioso caso do chupa-cabra


O curioso caso do chupa-cabra        

 

                                                                                  Carlos Alves

Como seria a vida se ela fosse normal? Normal assim, sempre em linha reta, correta. Sem nada de inusitado, sem nada que a tornasse mais interessante. Há quem não goste de fortes emoções. Há quem goste de ser pego de surpresa. Acontecem surpresas ruins, é verdade. Existem aquelas não muito agradáveis, mas que arranha a inalterabilidade da vida. Eu, individualmente, gosto das linhas tortas. Gosto mesmo de sair dos trilhos de vez em quando. Seguir sempre em linha reta é chato e morgado, entretanto, mesmo quando a gente anda nos trilhos, o acaso vem e nos atira para fora dele.

Todos nós temos uma história hilária para contar. Eu tenho muitas e gosto de contar, nem sempre escrita, mas também, em rodas de amigos. Têm umas pessoas “aculá” que adoram escutar.  Eis que vou tentar narrar um caso agora, não sei se vai empolgar às senhoras leitoras, nem aos senhores leitores. Bora tentar…

Lá estava eu, o mesmo atarantado de sempre, a repousar sentado à sombra, encostado em uma parede, mexendo no whatsapp, em frente ao Banco do Brasil da cidade sorriso, esperando um amigo para tomar uma, uma não, umas. Tinha acabado de sair do banco (de besta), porque poderia ter ficado lá dentro no ar-condicionado. Era tarde, a rua ainda a todo vapor e o sol também.  Meu carro estava estacionado ao lado, mal estacionado que só vendo.  Optei por esperar ali mesmo, jugando que eu não ia me demorar.

 Minutos depois, assim não mais que de repente, aparece o carro da polícia e para ao lado do meu. E eu continuei, serenamente, a mexer no celular. Eles desceram e vieram em minha direção. Presumindo, pelas suas feições sérias e carrancudas e pelo andar tomados de si, achei que eles tinham encontrado o pior bandido do Brasil. Eu até olhei se estava havendo briga ou algum assalto do outro lado da rua. Mah, meu Deus, era eu! Rápido eles fizeram o de praxe:  documentos? Mão na parede! Abra as pernas! Me revistaram. Havia um prazer imenso naquelas palavras. Um ato de heroísmo! Como não se gabar, eles acabaram de prender um bandido, tratava-se de um meliante de alta periculosidade. A sociedade estava livre dele! O banco estava a salvo. Revistaram o meu carro, nada encontraram para decepção deles. Eram três de fuzis na mão. Não conheço arma, acho que eram fuzis. Encontraram apenas um contracheque de professor. Correram os olhos no papel e continuaram me indagando:

 — Você é só professor mesmo ou trabalha?

 Menino, se eu não tivesse medo de uma cacetada… Mantive a pose e fiquei esperando acabar aquela presepada na tranquilidade, com ar de quem nada deve, porque quem não deve não teme, não é verdade? Não! A gente tem medo o tempo todo, principalmente, por não dever e cair em cilada, medo do acaso e medo de ser confundido.

  — Recebemos uma denúncia que o senhor estava com um chupa-cabra no banco. Disse o mais bravo dos três.

Aí eu peguei ar, nego vei! Onde eu iria arrumar um chupa-cabra? Eu só tinha visto falar dele pela TV. Agora me digam, pra que eu iria querer uma criatura daquela no banco, se fosse pelo menos no campo, onde eles são responsáveis por supostos ataques de animais, aí tudo bem, mas no banco?! No banco?!

— O chupa-cabra, o chupa-bode, o chupa-boi, o chupa-vaca que vocês encontrarem aí podem levar. É tudo de vocês. Porque eu só quero tomar uma gelada já já.

 Ora mais essa, pegar um bandido sentado, mexendo no celular, esperando ser preso e desarmado é muito fácil, quero ver pegar os bandidos de Brasília e os que andam tocando terror na rua.

Depois de tudo resolvido, desfeito o mal entendido, eu aprendi que o chupa-cabra é um aparelho usado por criminosos para resgatar envelopes de depósitos bancários e que não se deve esperar ninguém sentado em frente ao banco. É que eu não sabia que salteador assaltava o banco e ia sentar do outro lado com a boca escancarada cheia de dente esperando a polícia chegar.

Por Carlos Alves

Da Redação – UIRAUNA.NET 

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