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29 jun 2018

Leia “Coração agreste”, uma curta história de paixão intensa.


Por Carlos Alves

Ela subia, descia, sentava em uma cadeira de balanço branca. Balançava seus desejos, balançava seus ensejos, balançava a esperança… Levantava, falava com o vento. Apontava para o nada. Caminhava. Parecia sem rumo. Sentou-se um instante na praça sob as árvores de sombras falhas. Escorregou dali feito sabão que não se segura na mão. Fundiu-se, desinquieta e faceira, com as paredes dos muros, que formava a estreita viela. Não sossegava o faixo. Aos poucos ela fora sumindo de vista. De repente um vulto passa na garupa de uma moto. Sim, sim, era ela. Os cabelos tronchos se assanhavam ao vento. Seu namoradinho era o condutor da moto. Todo aquele desassossego tinha nome: paixão, daquelas avassaladoras. Mas naquela idade se apaixonar perdidamente, aponto de perder a cabeça? Não é possível! Espantoso! Ela não tinha idade pra tal façanha. Aquela senhorinha tão miudinha de cabelos pintados de preto para anular os brancos, apaixonada?!

Os dias sucedem neste ritmo frenético movido à paixão.

Outro dia, desce ela com o shortinho branco florado e blusa preta de alça, a pequena ladeira que separava as ruas com uma xícara de café na mão para o namorado. Sua mão trêmula deixava cair o liquido. O coração dele, talvez, não se barrotasse de desejo por ela. As flores da primavera desabrochara naquela coração sertão da miudinha. Se antes era duro e seco, agora alegrava-se, pulsava vivo e adolescente.

Já perdidamente louca, alucinada de vontade, ela não conseguia mais esconder. Até que, ele que ficava sempre em casa, como quem nunca soube nada, saiu pela porta da frente da casa onde eles moravam com uma faca peixeira na mão pingando sangue. Lá dentro da cozinha, o coração adolescente da velhinha ainda pulsava de paixão.

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