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14 set 2015

Internet grátis chega a locais isolados da PB e amplia comunicação de moradores


3222222222222222222A utilização da internet é uma das praticas cotidianas da maior parte da população brasileira. Porém, em alguns locais, como o município de Bonito de Santa Fé, no Sertão paraibano, a 484 km de João Pessoa, pouco mais da metade dos 10,8 mil habitantes (segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), conseguiam acessar a internet, algumas pessoas pela primeira vez na vida, no mês de julho deste ano.

O acesso à rede foi obtido através de uma parceria entre a prefeitura local e a Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid). Chamado de Junts, o projeto realizou a instalação de sete antenas que abrigam os equipamentos necessários para o funcionamento e a distribuição do sinal para os moradores do Distrito de Viana, da agrovila São Luiz e da Zona Urbana.

Inaugurado no dia 18 de julho, o projeto vem facilitando o acesso e a comunicação dos moradores com o mundo. Segundo o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Bonito de Santa Fé, Luis Fernandes, que foi o responsável por levar o projeto para o município, a ideia inicial era levar o serviço apenas para os moradores da Zona Rural.

“Tínhamos a necessidade de levar o projeto para a Zona Rural, principalmente, pela questão das informações para os agricultores, que se deslocavam para a cidade em busca de entender e fazer o Cadastramento Ambiental Rural, que é feito pela internet e é obrigatório. Eles poderiam fazer esse cadastro em casa, mas existiam três problemas básicos: ou os moradores não tinham acesso a internet, ou não conheciam o sistema ou não sabiam do que o cadastro se tratava”, afirmou o secretário.

Inicialmente, seriam três pontos de internet instalados na Zona Rural, mas a baixa qualidade de sinal e os preços cobrados pelas operadoras que exploram o serviço fez que com a ideia fosse ampliada e desenvolvida para todo o município.

“Percebemos que os bairros mais carentes da cidade também precisavam do benefício por conta do preço alto e da má qualidade do serviço prestado pelas empresas. Dialogamos com a Anid e conseguimos aumentar de três para oito antenas de internet, distribuindo o sinal para a população urbana. Dos oito pontos, sete estão instalados e funcionando perfeitamente beneficiando, no total, cerca de 5 mil pessoas”, contou o secretário.

Foi no dia da inauguração do sinal que os responsáveis pelo projeto perceberam que o alcance da iniciativa tem dado resultado. Em um dia, mais de 300 computadores estavam conectados à rede.

“Melhorou muito o acesso da internet para a população. Antes, a cidade tinha fornecedores de internet particular que cobravam caro, deixando as pessoas carentes sem condições de pagar, e distribuíam um serviço de baixa qualidade. O pessoal passava cerca de 3h para carregar e assistir uma videoaula de um projeto online que tinha duração de dez minutos, por exemplo. Foi um projeto difícil para a prefeitura do ponto de vista econômico porque investimos R$ 12 mil em equipamentos, o que para uma prefeitura de cidade pequena é um gasto considerável. Mas o projeto é muito importante para a população e tem dado bastante alegria aos moradores”, disse Luís Fernandes.

Projeto deve ser ampliado

Além do projeto de internet gratuita, o município pretende adquirir computadores e disponibilizá-los para que a população, que não tem condições financeiras para adquirir o equipamento, tenham acesso a pesquisas escolares e informação.

“Os moradores ainda precisam de muito mais. Temos famílias que não possuem condições de comprar computador. Estamos desenvolvendo um projeto para adquirir, junto com a Anid, computadores para estarem à disposição da população”, falou Luis Fernandes.

Com a internet, câmeras também devem ser instaladas na Zona Rural do município para dar mais segurança aos moradores. “Tudo está iniciando, mas o futuro é próspero. Com um bom sinal de internet, vamos instalar câmeras na Zona Rural e dar mais segurança para a população. Tudo tende a melhorar quando a cidade, enfim, entra na era digital”, concluiu o secretário.

De acordo com Cícera Alcantara, moradora das proximidades do Terminal Rodoviário do município, o projeto está dando mais qualidade de vida, economia e oportunidades para a população.

“Antes eu pagava R$ 32 por um serviço de internet que era ruim e que quando entravamos em contato com a empresa ela dizia que era assim mesmo, não tinha o que fazer. Agora, temos internet rápida, gratuita e, pela primeira vez, um serviço de qualidade. Sempre que a gente precisas tem como pesquisar, trabalhar e participar de cursos online sem ter que aguardar meia hora para ver um vídeo de 10 minutos. É um projeto bom para os jovens da nossa cidade”, contou Cícera.

Dados mostram que o Brasil ainda vive ‘desconectado’

Segundo o presidente da Anid, Percival Henriques, o Brasil ainda possui 100 milhões de pessoas desconectadas.

“No Brasil ainda são 100 milhões de pessoas desconectadas. Apenas 30% da população rural acessou a Internet em 2013, como mostrou a pesquisa do Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br). E quando nos voltamos para os que estão conectados vemos o quanto o serviço de banda larga é deficiente e sem qualidade. Esperamos mudar esse cenário”, contou Percival Henriques.

De acordo com dados da pesquisa sobre a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nos domicílios brasileiros, realizada pela CGI.br, entre o período de setembro de 2013 e fevereiro de 2014, 38% dos 16,8 mil domicílios brasileiros pesquisados não acessavam a internet por falta de condições de pagamento.

A pesquisa foi realizada em todas as regiões do Brasil, questionando os motivos para a falta de conexão a internet. Com isso, os dados confirmaram que a Zona Rural e a região Nordeste continuam sendo as mais ‘desconectadas’.

Entre as Zonas Rural e Urbana, 68% dos domicílios da Zona Rural não possuem acesso a internet por falta de um computador; já na Zona Urbana a porcentagem atinge 62% dos domicílios pesquisados. O custo elevado ou a falta de condições de pagamento de serviço de internet atinge 44% dos domicílios rurais e 36% na Zona Urbana.

Com relação às regiões, o Nordeste lidera em três dos dez motivos apontados como causas para o não acesso a internet, sendo seguido pela região Norte.

O motivo de não ter computador em casa atinge 73% dos domicílios nordestinos; por custo elevado ou não ter como pagar o serviço atinge 50%; e por falta de habilidade ou não saber usar a internet atinge 37% das residências no Nordeste.

Em comparação, na região Sudeste, a mais avançada tecnologicamente do Brasil, os mesmos três motivos citados acima atingem, respectivamente, as porcentagens de 55%, 27% e 20%.

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