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26 mar 2015

Graça Foster diz que Operação Lava Jato muda Petrobras ‘para melhor’


Em depoimento à CPI da Petrobras, a ex-presidente da estatal Maria das Graças Foster afirmou nesta quinta-feira (26) que, na opinião dela, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), muda a estatal “para melhor”. Ela também disse ao colegiado que as suspeitas de corrupção envolvendo a petroleira vieram à tona devido ao trabalho da PF e do Ministério Público Federal (MPF). Segundo a ex-dirigente, mecanismos de controle interno e externo, como Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria Geral da União (CGU), não conseguiram detectar as irregularidades.

foster-petrobrasFuncionária de carreira da petroleira, Graça Foster deixou o comando da empresa em fevereiro desgastada pelo esquema de corrupção que atuava na estatal. Esta é a quinta vez que ela é ouvida no Congresso Nacional para dar explicações sobre as suspeitas de irregularidades na Petrobras, mas a primeira oportunidade em que é ouvida na situação de ex-presidente.

“Eu não tenho dúvida do bem que a Operação Lava Jato já vem causando à Petrobras. Existe uma série de marcas que vão ficar na nossa história eternamente. Nós não vamos esquecer nunca o ano de 2014, mas a Lava Jato realmente muda a Petrobras para melhor, não tenho dúvida disso”, destacou a ex-presidente.

“Não foi a Petrobras que descobriu corrupção na Petrobras”, enfatizou. “Entendo que o descobridor foi a Polícia Federal, foi o Ministério Público Federal, que descobriram [o esquema], a ser confirmado o cartel e tudo posto na mídia. O grande descobridor foi a Polícia Federal”, reiterou Graça.

No depoimento que concedeu na última semana à CPI, o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli já havia declarado que era “impossível” detectar corrupção na estatal pelos procedimentos e meios de controle da empresa.

Graça Foster também explicou aos deputados que, após a deflagração da operação Lava Jato, em março do ano passado, a estatal tomou ações preventivas para não contratar empresas suspeitas de formação de cartel.

“A operação Lava Jato levou a Petrobras a determinadas situações preventivas em relação à contratação de empresas que tivessem sido apontadas pelos órgãos de controle como parte de um cartel”, destacou a ex-dirigente.

Pagamentos de propina

Em meio ao depoimento, a ex-presidente da Petrobras disse que, assim que veio à tona a revelação de que a empresa holandesa SBM Offshore pagou propina a funcionários da estatal, os contratos foram interrompidos. O ex-gerente Pedro Barusco confirmou o recebimento de suborno em depoimento à Polícia Federal.

Assim como já havia afirmado em depoimentos anteriores no Congresso Nacional, Graça Foster reiterou nesta quinta-feira que “nunca soube de propina na Petrobras”. Ela explicou aos parlamentares que tentou descobrir mais detalhes sobre esses subornos, mas, segundo a ex-presidente, a empresa não revelou valores nem quem seriam os beneficiários.

A ex-dirigente, contudo, reconheceu ser improvável que ninguém mais da empresa soubesse dos pagamentos de propina. “Eu tenho dificuldade em aceitar que um gerente no meio da linha hierárquica possa receber uma vantagem sem que outros soubessem”, declarou.

Ela ponderou que a SBM é uma das melhores empresas na área de aluguel de plataformas de petróleo e que a Petrobras tem interesse em esclarecer a denúncia para retomar contratos.

“Tão logo soubemos da propina, cancelamos qualquer relação comercial com a SBM”, disse. “Até hoje, não temos um retrato oficial dessa questão da propina da SBM. Até hoje, não há uma conversa com nomes e valores, e a Petrobras busca isso intensamente para que possa de fato voltar a contratar a SBM”, complementou.

Graça admitiu que se sente constrangida sobre as denúncias em torno da estatal. “Tenho realmente um constrangimento muito grande de tudo isso, de olhar para vocês, mas estou sendo muito sincera”.

Cartel de empreiteiras

Questionada sobre a suspeita de formação de cartel entre empresas fornecedoras da Petrobras, a ex-presidente garantiu que “jamais” soube de qualquer resultado de licitação antes da abertura dos envelopes com as propostas.
“Eu posso garantir, como diretora de gás e energia e como presidente da Petrobras, eu jamais soube de um resultado, quem seria o vencedor, até a hora em que os envelopes são abertos. Eu nunca soube de resultados antes da hora”, afirmou.

Graça Foster ainda negou ter mentido, no ano passado, à CPI mista da Petrobras sobre desconhecer o pagamento de propina na estatal. Parlamentares da oposição, incluindo o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), criticaram o seu depoimento após a revelação feita pela ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca de que ela alertou Graça sobre a corrupção na empresa.

“Eu recebi essa notícia e fiquei muito chateada, muito triste porque respeito os parlamentares e não menti”, afirmou nesta quinta.

Ela justificou dizendo que, assim que veio à tona a declaração de Pedro Barusco de que recebeu dinheiro por fora, a Petrobras tentou identificar as irregularidades apontadas e cortou as relações comerciais com a empresa.

“Nossa comissão interna olhou contrato a contrato, aditivo a aditivo, num primeiro momento, e, num segundo momento, recebemos um telefonema de um senhor da SBM que dizia que havia sido, sim, pago propina. Perguntei para quem e ele dizia que não sabia. E avisei que não ia contratá-lo mais enquanto não dissesse o nome”, disse.

G1

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