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7 abr 2017

Estados Unidos lançam dezenas de mísseis em direção à Síria; Rússia repudia ataque


O Exército americano lançou, na noite desta quinta-feita (6), 59 mísseis ‘U.S. Tomahawk’ em direção à uma base militar localizada na Síria. O Exército sírio informou que o local foi completamente destruído e que seis pessoas morreram no ataque. O número de feridos não foi divulgado.

O lançamento foi uma retaliação ao ataque químico em Khan Sheikhoun, na província de Idlib, que foi feito com gás sarin, matando 86 pessoas, entre elas 26 crianças, segundo o levantamento do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Segundo o Exército americano, a base aérea de Homs, alvo dos mísseis, foi responsável pelo ataque químico. O ataque partiu de navios americanos, e já estava sendo planejado desde a última terça-feira. Algumas horas após o ataque, o governo dos EUA divulgou vídeos com os lançamentos.

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O lançamento dos mísseis aconteceu um dia após o presidente americano, Donald Trump, sinalizar que poderia retaliar o governo sírio, comandado por Bashar al-Assad. “Acho que o que Assad fez é terrível. O que aconteceu nas Síria foi uma desgraça para a Humanidade”, disse Trump, ao se pronunciar sobre o ataque químico.

No passado, o ex-presidente do Estados Unidos, Barack Obama, já havia ameaçado combater Assad. Trump, por sua vez, sempre procurou manter distância da política na Síria, e colocava Assad com um “aliado na luta contra o Estado Islâmico”. No entanto, o ataque químico mudou a opinião e a estratégia do presidente americano.

Logo após o lançamento dos mísseis, Trump falou com jornalistas na Flórida e convocou “as nações civilizadas para combater o regime sírio”.  Segundo o presidente americano, o regime de Assad já foi longe demais e, para parar o banho de sangue, uma ação foi necessária.

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Depois, em pronunciamento oficial, Trump seguiu a mesma linha de pensamento. “Na última terça-feira, o ditador sírio Bashar al-Assad, lançou um terrível ataque químico em Khan Sheikhoun, matando inocentes, entre eles, crianças indefesas e pequenos bebês”, disse o presidente. “É um interesse vital dos Estados Unidos coibir o uso de ataques químicos brutais como esse”, completou.

Segundo Trump, foram anos e anos tentando mudar o comportamento de Assad, mas sem resultados. De acordo com ele, o presidente sírio é o grande culpado pela crise dos refugiados. No final do discurso, ele disse que reza pelos mortos e feridos e disse que algo precisava ser feito para combater a crueldade do regime sírio.

Muito se espera das consequências diplomáticas diante da retaliação americana, principalmente em relação à Rússia, antiga aliada da Síria e do regime de Assad. De acordo com o Pentágono, no entanto, as autoridades russas foram avisadas antes do lançamentos dos mísseis, para que seus soldados pudessem ser retirados da base militar que foi alvo dos mísseis.7abr2017---imagem-fornecida-pela-marinha-norte-americana-mostra-lancamento-de-missil-a-partir-destroyer-americano-em-ataque-a-base-aerea-siria-1491537166410_300x200

O governo russo no entanto, manifestou descontentamento com a atitude de Trump. “O ataque foi uma agressão contra um estado soberano, baseada em pretextos inventados”, declarou Dmitry Peskov, porta-voz do governo da Rússia. “Esta ação de Washington causa um dano considerável nas relações russo-americanas, que já se encontram em um estado lamentável”, completou o diplomata, causando ainda mais tensão. A Rússia ainda pediu uma reunião urgente no Conselho de Segurança da ONU para discutir o assunto.

O governo do Irã, outro aliado importante de Assad, também repudiou o ataque americano. “O Irã condena veementemente quaisquer ataques unilaterais”, declarou Bahram Qasemi, porta-voz do Ministério do Interior iraniano.

Outro problema que Trump pode enfrentar se deve ao fato do presidente americano não ter consultado o Congresso antes de autorizar os ataques, como manda a Constituição dos Estados Unidos. Deputados democratas e mesmo alguns republicanos não teriam gostado da atitude centralizadora de Trump. Segundo o presidente, no entanto, o lançamento dos mísseis era uma questão de segurança nacional, e não haveria maneira de discutí-lo.

Países aliados dos Estados Unidos, no entanto, aprovaram a ação de Trump. Israel, Turquia, Reino Unido, Japão, entre outros, entenderam que o lançamento dos mísseis foi necessário para combater um governo que está atacando a própria população. Alemanha e França informaram que foram avisados do ataque com antecedência.

A situação na Síria

O conflito armado na Síria foi iniciado em 2011 e, desde então, mais de 470 mil pessoas morreram, de acordo com estimativas do Centro Sírio para Pesquisas Políticas. Segundo a ONU, a guerra também levou cerca de 10 milhões de sírios a cruzarem a fronteira do país em busca de paz.

Parte do discurso de Trump sobre o ataque à base síria:

Na terça-feira, o ditador sírio Bashar al-Assad lançou um terrível ataque de armas químicas contra civis inocentes. Usando um agente nervoso mortal, Assad sufocou a vida de homens, mulheres e crianças desamparadas. Foi uma morte lenta e brutal para tantos. Mesmo lindos bebês foram cruelmente assassinados neste ataque tão bárbaro.

Nenhum filho de Deus deve jamais sofrer tal horror. Hoje à noite, eu ordenei um ataque militar direcionado a uma base aérea na Síria, de onde o ataque químico foi lançado. É de vital interesse da segurança nacional dos Estados Unidos prevenir e dissuadir a propagação e o uso de armas químicas mortais. É indiscutível que a Síria usou armas químicas proibidas, violou suas obrigações sob a convenção de armas químicas e ignorou a insistência do Conselho de Segurança da ONU.

Anos de tentativas anteriores de mudar o comportamento de Assad falharam, e falharam muito dramaticamente. Como resultado, a crise de refugiados continua a se aprofundar e a região continua a se desestabilizar, ameaçando os Estados Unidos e seus aliados. Hoje à noite, pedi a todas as nações civilizadas que se unissem a nós, buscando acabar com o massacre e o derramamento de sangue na Síria, e também para acabar com o terrorismo de todos os tipos e de todos os modos.

Pedimos a sabedoria de Deus ao enfrentar o desafio de nosso mundo tão perturbado. Rezamos pela vida dos feridos e pelas almas daqueles que morreram e esperamos que, enquanto a América defender a Justiça, a paz e a harmonia prevalecerão. Boa noite e Deus abençoe a América e o mundo inteiro.”

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Fontes: iG e G1

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