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9 out 2017

Emily Lima: ‘As pessoas não querem a evolução do futebol feminino’


Emily Lima foi a primeira mulher a assumir o comando da Seleção Brasileira Feminina e fez história com isso. Porém, diferente do que era prometido, ela teve pouco mais de 10 meses para trabalhar e, depois de quatro derrotas consecutivas, foi demitida. Nem mesmo uma carta feita pelas jogadoras pedindo para que a comissão técnica fosse mantida para o ciclo olímpico foi o suficiente.

Ex-volante, Emily, de 37 anos, disputou 13 partidas, conquistou sete vitórias consecutivas, um empate e perdeu cinco jogos. Nenhuma competição oficial foi disputada nesse período, mas, mesmo assim, a CBF decidiu que era hora de encerrar o ciclo e recontratar Oswaldo Fumeiro Alvarez, o Vadão. Em entrevista ao LANCE!, ela conta a dificuldade do trabalho.

– A partir da contratação do Vadão eu comecei a me questionar e ver que a demissão não era só por conta do resultado. Um treinador que teve dois anos e alguns meses à frente da Seleção, teve o maior investimento da história do futebol feminino, jogou Pan-Americano, Sul-Americano, que são obrigações nossas ganhar, Mundial e Olimpíada, que fomos mal. As pessoas não querem a evolução da modalidade, mas novamente o que não deu certo. Eu não poderia me calar vendo isso acontecendo. Posso sofrer muito, mas não tenho medo – disse Emily.

LANCE: Qual foi o cenário que você encontrou quando assumiu a seleção com relação a planejamento, situação da modalidade e de preparação? 

Emily: Quando chegamos para iniciar o trabalho não tinha nada em vista para 2017 e 2018, então tivemos que correr atrás para fazer esse calendário. Dados das jogadoras tivemos pouquíssimos, quase nada. Então tivemos que preparar o planejamento em cima daquilo que tínhamos. Fizemos um mapeamento do que temos no Brasil em relação ao futebol feminino, quantas equipes em atividade, quantas atletas praticavam o esporte, os campeonatos estaduais.

Dentro disso nós criamos as convocações de observação, que foram divididas em quatro regiões (Sudeste, Nordeste, Centro-oeste e Norte). Na parte física, fizemos um levantamento desde 2013 e planejamos fazer três avaliações completas, no começo, meio e final do ano. Fizemos isso em todas as convocações. Temos muitos números, uma coisa completa, e agora a próxima comissão técnica terá números reais de todas as atletas que forem convocadas.

Como você pode descrever seu trabalho nesses quase 10 meses? Te deram condições pra trabalhar e liberdade? 

O trabalho da comissão técnica nesses 10 meses foi algo que nunca teve na CBF no futebol feminino, isso eu posso garantir. Fomos os primeiros que ficaram trabalhando diariamente no escritório na sede da entidade. Fizemos o que acreditávamos que era o certo. Fomos atrás de jogos, de atletas, de números, criamos uma observação das atletas. A avaliação que eu faço é positiva.

Quando falo que não tivemos o respaldo necessário, foi quando pedíamos algo. Por exemplo, pedia dois três dias antes da convocação, dentro da Data Fifa, para que pudéssemos concluir o que havíamos planejado a médio/longo prazo. Digo que eu tive tudo sim, não pelo coordenador Marco Aurélio Cunha, mas pelo respaldo que o presidente Marco Polo del Nero dá a todas as categorias. Em nenhum momento tivemos o apoio dele (Marco Aurélio) quando foi questionado por nossas derrotas. Não quero que ninguém defenda a gente, mas que diga do trabalho que estava sendo feito. Se o coordenador não servir para nada, não sei porque ele está lá. Comecei a me questionar.

 

Fonte: ESPN

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