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9 maio 2019

Diego Hypolito revela que escondeu ser gay para não perder patrocínios


Medalhista de prata nos Jogos Rio-2016, Diego Hypolito assumiu publicamente que é gay pela primeira vez. Aos 32 anos, o ginasta contou, em entrevista ao “Uol” publicada nesta quarta-feira, que escondeu o tema durante a carreira com medo de perder patrocínios e por causa da pressão da família.

– Eu vivi a solidão de não ter ninguém com quem eu pudesse compartilhar os dilemas de ser uma pessoa gay numa sociedade preconceituosa. Por mais que todo mundo tenha a impressão de que tem muito gay na ginástica, não tem. Todo mundo me zoava, zombava do meu jeito. Eu tinha o sonho de conseguir uma medalha olímpica e faria de tudo para chegar lá, até esconder quem eu era. Eu tinha certeza que se um dia eu saísse do armário publicamente, perderia patrocínios e minha carreira seria prejudicada – declarou Diego.

Criado em uma igreja e de origem humilde, Hypolito tem uma tatuagem de Jesus crucificado no braço e até hoje frequenta cultos. No relato, o ginasta contou ter se afastado da família por quase um ano quando falou sobre o assunto. Lembrou que, aos 10 anos, um treinador disse para sua mãe que ela deveria mudar a educação do garoto, caso contrário ele se tornaria gay.

– A gente passava por tanta dificuldade em casa… nem sempre tinha o que comer, chegamos a ficar meses sem energia elétrica. Como é que eu ia levar mais um problema para eles? Eles tinham abdicado da vida deles em São Paulo para ir comigo e com a minha irmã Daniele para o Rio. Ia falar sobre sentimentos e coisas pelas quais eu passava sendo que eles tinham tantas preocupações mais sérias? – lembrou Diego.

Hoje, ele diz que se sente confortável para ir a festas sem se esconder, como no passado. Contou que já foi chamado de “Frankenstein” no meio da ginástica, mas se livrou de todos os “pesos” que carregava e teve a aceitação dos pais.

– Quero que as pessoas saibam que eu sou gay e que eu não tenho vergonha disso. E não é porque eu sou que outras pessoas vão querer ser. Isso não tem nada a ver. Já vivi muitos anos pensando no julgamento que os outros fariam sobre mim. Hoje só aceito ser julgado por Deus – disse o medalhista, que hoje acredita ser importante falar sobre o assunto para ajudar outras pessoas.

– Eu preciso falar sobre essas coisas para que elas nunca mais se repitam. Ninguém precisa passar pelo que eu passei para ser campeão. Não existe vitória a qualquer custo – falou.

No ano passado, o atleta já havia revelado ter sofrido abusos sofridos no esporte. Ele contou que atletas mais velhos já o fizeram segurar uma pilha com o ânus e o deixaram pelado, junto com outros dois ginastas, para escrever no peito a frase “Eu”, “sou”, “gay”.

– A minha felicidade era a ginástica, então se eu não pudesse ser completo na minha vida pessoal, nem tinha tanto problema. Eu ia continuar a esconder a minha sexualidade para manter vivas as minhas aspirações no esporte. E deu certo, né? Uma medalha de prata em Olimpíada. Dois títulos e outras três medalhas em Mundiais. Mais 69 em Copas do Mundo – lembra o atleta, que pedia aos seus assessores para que jornalistas não abordassem o tema delicado em entrevistas com o ginasta.

Após ficar sem a medalha nas Olimpíadas de Pequim-2008 e Londres-2012, Diego deu a volta por cima no Rio de Janeiro. Mas também revelou um fato que o marcou antes da conquista: sofreu uma síndrome do pânico.

– Eu caí duas vezes em duas Olimpíadas, uma vez de cara, outra de bunda no chão, e enfrentei uma síndrome do pânico antes de conseguir a prata na Rio-2016 – contrariando as expectativas de todo mundo, menos as minhas. Realizei meu sonho e virei exemplo de superação para muita gente. Tenho muito orgulho do que fiz.

 

Fonte: Lance!

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