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18 mar 2017

“Desmascaradas”, Friboi e outras marcas investigadas são alvo de revolta na web


A Operação Carne Fraca deflagrada nesta sexta-feira (17) já fez história: além de ser a maior investigação já realizada pela Polícia Federal (PF), envolvendo mais de 1.100 policiais em seis estados do País e no Distrito Federal, também apontou grandes nomes da indústria alimentícia, como a JBS (dona da Seara, BigFrango e Friboi) e a BRF Brasil (que controla marcas como Sandia e Perdigão). Consumidores revoltados expressaram sua comoção na internet, não sem razão, e as hashtags #CarneFraca, #CarnePodre e #CarnePodreFriboi estavam entre as Trend Topics do dia.

“Desmascarada”, a Friboi foi grande alvo das mensagens consternadas dos consumidores que, inclusive, defenderam um boicote ao frigorífico. “A Friboi não está nem aí para as carnes podres que vendeu, mas sim como vai vender o resto”, escreveu um internauta. “O nome da operação deveria ser #CarnePodre ao invés de Carne Fraca ”, apontou outro.

Entre as mensagens contra a empresa que, em sua publicidade faz a promessa de ser o próprio nome da “carne de qualidade”, até o ator Tony Ramos foi citado, após fazer dezenas de propagandas na TV.

Assim como outros temas discutidos na internet, o assunto foi tratado com revolta, mas com uma pitada de bom humor – e ironia, claro. Muitas pessoas não deixaram passar despercebido o envolvimento do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, dos partidos políticos e dos fiscais . “Corrupção está enraizada nesse País”, desabafou um internauta, na rede social.

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Entenda a operação

A Operação Carne Fraca investiga uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. De acordo com a PF, os fiscais – que contavam com a ajuda de servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no Paraná, Goiás e Minas Gerais – se utilizavam dos cargos para, mediante propinas, facilitar a produção de alimentos adulterados por meio de emissão de certificados sanitários sem que a verificação da qualidade do produto fosse feita.

Trata-se da maior operação já realizada na história da PF, segundo a instituição, com mais de 1.100 policiais mobilizados em seis Estados (Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás) e no Distrito Federal.

A operação envolve grandes empresas, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão , e também a JBS, dona não só da Seara , da BigFrango e da Friboi , mas também de outras empresas e de frigoríficos menores, como Mastercarnes e Peccin, do Paraná. Investigadas pela PF, ambas estão entre as cinco maiores exportadoras do País, reconhecidas como as maiores empresas de carne do mundo. Além delas, aparecem na decisão outros frigoríficos grandes e pequenos.

Essas empresas são acusadas de participar de um esquema de corrupção no Ministério da Agricultura. O delegado Moscardi Grillo confirmou que ao menos três executivos da BRF e dois da JBS foram presos na manhã desta sexta. O delegado explica que, ao longo das investigações, iniciadas em 2015, quase 40 empresas foram autuadas pela PF e os investigadores não encontraram nenhum frigorífico onde não havia “problemas graves”. Moscardi Grillo chegou a afirmar que as empresas adulteravam a carne para disfarçar o mau-cheiro do produto.

A Polícia Federal pediu a interdição de ao menos um frigorífico da BRF no interior de Goiás, onde foram constatados indícios da presença da bactéria salmonela. Genericamente foram encontrados casos de companhias que usavam, em suas operações, carnes podres com ácido ascórbico para disfarçar o gosto, frango com papelão, pedaços de cabeça e carnes estragadas empregadas como recheio de salsichas e linguiças.

Fonte: iG

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