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29 dez 2015

Desafio De Repente reúne seis duplas de repentistas em João Pessoa


Seis duplas de repentistas de diferentes estados nordestinos se preparam para uma verdadeira batalha. As armas são as violas, a ironia e o sarcasmo presentes em versos afiados como punhais. É que o projeto De Repente no Espaço começa o ano com uma edição especial – o Desafio, que acontece na quarta-feira (6), com a participação de 12 cantadores. O evento começa às 19h, no mezanino 2 do Espaço Cultural, com entrada gratuita.

As duplas confirmadas são Ivanildo Vila Nova e Antonio Lisboa, Gilmar de Oliveira e Zé Carlos do Pajeú, Hipólito Moura e Zé Viola, Miro Pereira e Erasmo Ferreira, Luciano Leonel e João Lourenço, Edvaldo Zuzu e Raulino Silva. Na comissão julgadora estão Djair Olimpio, Jonh Morais, Junior Farias, Edezel Pereira e José Dantas.

A atividade promovida pelo Governo do Estado, por meio da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), dá continuidade ao projeto permanente De Repente no Espaço, realizado mensalmente. A atração se repete na primeira quarta-feira de cada mês com uma dupla de convidados.

Sobre o projeto – A Funesc lançou o projeto em julho de 2015 com o intuito de valorizar a arte genuinamente nordestina, que tem como berço a Paraíba. Logo na sua primeira edição, o De Repente no Espaço já se mostrou um sucesso com público crescente a cada mês. Nas cinco edições realizadas de julho a dezembro deste ano, dez poetas populares com notório reconhecimento pelo Brasil e exterior passaram pelo mezanino 2 do Espaço Cultural José Lins do Rego, a exemplo de Ivanildo Vila Nova, que recentemente completou 50 anos de carreira e em sua trajetória, além da sofisticada cantoria, é um artista que fez a diferença na profissionalização do repentista. Ele fez dupla com Rogério Meneses, que também tem carreira expressiva com participações e notoriedade em festivais por todo Brasil.

Na sequência, as duplas: Raimundo Caetano e Raulino Silva, João Lourenço e Luciano Leonel, Hipólito Moura e Gilmar de Oliveira, Miro Pereira e Antonio Silva e fechando o ano, Erasmo Ferreira com o notável poeta Zé Viola. Todos esses nomes marcaram presença na capital paraibana.

A cada mês, um repentista paraibano se apresenta fazendo dupla com um convidado vindo de outro Estado, apresentando duelos, poesias e canções da melhor qualidade do universo dos versos da cultura popular nordestina. O apresentador oficial e declamador é Iponax Vila Nova, coordenador do projeto que além conduzir as cantorias realiza oficina de declamação e versos pelo Estado, dentro do projeto De Repente no Espaço.

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Repente – No Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas, para cantar os seus versos. Eles apareceram nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, o repente se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos “de repente”, em um desafio com outro cantador. Não importa a beleza da voz ou a afinação – o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o oponente apenas com a força do discurso.

A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: há a sextilha (estrofes de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima com o quarto e o sexto), a septilha (sete versos, em que o primeiro e o terceiro são livres, o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rimam com o sexto) e variações mais complexas como o martelo, o martelo alagoano, o galope beira-mar e tantas outras. Todos se baseiam em métrica, rima e oração poética.

O extremo rigor quanto à métrica e a rima perfeita é característico na cantoria dos repentistas violeiros. O instrumental desses improvisos cantados também varia: daí que o gênero pode ser subdividido em embolada (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas com a voz) e a cantoria de viola.

Cordéis musicados – O repente se insere na tradição literária nordestina do cordel, de histórias contadas em caudalosos versos e publicadas em pequenos folhetos, que são vendidos nas feiras por seus próprios autores. Uma tradição que, por sinal, inspirou clássicos da literatura brasileira, como o “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassu na, e “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. O repente foi para o Sudeste em meados do século XX, junto com a migração de nordestinos para os grandes capitais. Chegou a São Paulo em 1946 com o alagoano Guriatã de Coqueiro (Augusto Pereira da Silva) e, no Rio, instalou-se na Feira de São Cristóvão.

  Fonte: Portal Correio

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