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4 dez 2018

A curiosidade matou o gato: o inusitado caso da reconstituição de um acidente


CARLOS ALVES

Dizem que a curiosidade matou um gato, um ditado popular que se refere a um mal que pode nos acometer se a gente for botar o bico onde não foi chamado. O gato tem sete vida, nós não. Mas também foi a curiosidade que levou a todas as descobertas da humanidade. Sendo assim, vale a pena correr risco e ter a satisfação de no final, ser recompensado com a verdade dos fatos.

Essa ideia de que a curiosidade matou o gato, surgiu na idade média, época que ser muito curioso se poderia ir parar na fogueira. Ainda neste período, era comum que gatos fossem caçados, já que não era um animal muito querido, principalmente, os pretos, que eram mais místicos ligados “ás bruxarias”. Tendo a fama de curioso, era fácil capturar e matar os bichanos com qualquer armadilha que atraísse a curiosidades deles. A partir daí, se ecoa até hoje, que “a curiosidade matou o gato”.

No meu caso, a curiosidade não me matou, mas tive que me fingir de morto. Foi um caso que não pus a pena o bico, mas o corpo inteirinho.

Há alguns anos, não me recordo ao certo, após ter passado o dia lecionando, vinha eu e minha moto verde de 150 cilindrada da escola na estrada que liga Uiraúna ao sítio Areias. Na estrada, um grupo de peritos estava parado. Há alguns dias, havia acontecido, ali, um acidente de moto, que teve como vítimas um velho e um rapaz. A perícia estava fazendo a reconstituição do acidente. Eu, na minha curiosidade, não me contive e parei a moto. Não só eu, já tinha alguns “curiando” o serviço da polícia. Junto dos agentes, estava também a testemunha, que tinha encontrado os corpos.

Eu e outro rapagão comprido feito um poste, magro feito salsicha somos convidados pela polícia a colaborar. Prontamente, dizemos: sim! Ora, para mim era uma satisfação imensa ajudar na investigação, logo eu, que sou fã de Scooby-Doo, de OO7 e tudo que é história de mistérios; de livros a séries. Topei na hora, sem colocar nenhum empecilho. Porém, eu não sabia qual seria minha ação.

Pulei da moto, me meti no meio deles, todo importante, me achando o próprio agente.

— Bem, vocês dois vão ser os mortos, disse um dos policias. Certo, respondi, já decepcionado. Mas até aí, tudo bem. Vou só me deitar, eles tiram umas fotos e missão cumprida: ajudei a solucionar o mistério. O mistério consistia em saber se foi acidental ou crime o ocorrido.

Deitamos no chão de acordo com que dizia a testemunha, inicialmente. Eu fique esticado à beira da estrada e o rapagão no meio dela. Tudo certo, nesse tempo, já estava uma fila enorme de curiosos. Ninguém seguia viagem, todo mundo parava pra saber o que era.

—Será mais um acidente? De novo, neste mesmo lugar?

E nós esticados naquela estrada… O problema era que a testemunha não tinha certeza de nada e começou a mudar os fatos:

— Este corpo estava assim, e aquele assim. Vira a gente pro lado, vira a gente pro outro. Estica a perna. Encolhe o braço. A cabeça tava virada de lado. Este da beira da estrada estava mais pra dentro do mato.

Jogam-me pra dentro do mato. E eu gritava, timidamente:

— Com cuidado, que eu tô vivo!

O homem que testemunhou continuava a mudar de ideia, e com isso, mudava nosso posição também. Arrasta mais pra cá. Isso! Assim! Acho que era assim mesmo que estava, só que o esse braço (direito) estava desse jeito.

Só se via os flash. Lá, cada mudança de posição do corpo no chão era um flash.

Depois de tanto movimento, e já escuro, fomos liberados. Levantamos, sacudimos a poeira. Subi na minha moto verde de 150 cilindrada, bem novinha ainda, a bichinha, e fui para casa me acabando de achar graça.

Hoje, não posso ver o rapagão, que comigo esteve naquele situação inusitada que a lembrança vem mais rápido que aqueles flash da máquina de bater retrato. E quando me vejo em situações parecidas, eu paro para olhar, entretanto, não fico mais de jeito nenhum no pelotão da frente, prefiro mesmo é ficar no rabo da gata, porque gato escaldado tem medo de água fria.

 

 

Da Redação – UIRAUNA .NET 

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