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3 nov 2015

Crise econômica revoluciona a forma de consumir dos brasileiros


3222222222222Em meio à recessão, com inflação e desemprego em alta e salários em queda, o comportamento do consumidor deu uma guinada. De acomodados e até mesmo esnobes, os brasileiros se transformaram nos heróis da pechincha. As novas formações familiares, nas quais o casal com filhos deixou de ser o modelo único, e a necessidade de enfrentar questões climáticas com práticas sustentáveis também mudaram a percepção de consumo, assim como a exigência por transparência e justiça nas relações comerciais. É o que aponta pesquisa realizada pela Mintel, agência de inteligência de mercado, com sede em Londres, que tem como foco as tendências de consumo para 2016.

Para Graciana Méndez, analista de tendências da Mintel, o levantamento apurou mudanças de comportamento, prioridades e novos hábitos para chegar às quatro principais direções que impactarão o mercado brasileiro no próximo ano, incluindo as implicações para os consumidores e as marcas. Heróis da Pechincha, Sede por Mais, Ocupe Brasil e Famílias Alternativas são as quatro tendências identificadas pela empresa que pautarão os negócios no próximo ano.

A forma como os brasileiros vivem juntos e criam laços evoluiu significativamente, resultando em novas formas de convivência. Dinâmicas domésticas desafiam ideias estereotipadas — relacionadas a gênero, idade e etnia — sobre a definição de família. Como as pessoas hoje em dia vivem mais, os idosos impõem exigências. À medida que mais mulheres se juntam à força de trabalho e os homens se envolvem com tarefas domésticas e de cuidados às crianças, surge outra compreensão do significado dos gêneros. “Estamos vendo mudanças na definição de casamento, para que seja mais inclusivo da comunidade LGBT. Ao mesmo tempo, o número de animais de estimação atinge novo patamar entre as famílias”, enumera Graciana.

Animais de estimação

Maurício de Almeida Prado, sócio-diretor da Plano CDE, acrescenta: “Desde 2009, o modelo de casal com filhos vem perdendo espaço nas composições familiares. Não são mais de 50% como antes”. Segundo ele, cresce o número de domicílios com uma pessoa só ou com idosos como arrimo de família, o que obriga novas práticas de consumo. “As empresas têm que se adequar para atender a essa realidade”, diz.

Essa nova abordagem familiar gerou, por exemplo, um grande efeito na indústria de rações para animais domésticos, que deve crescer 6,5% em 2016. E várias empresas no Brasil estão começando a ver o potencial da demografia dos cidadãos mais velhos, lançando iniciativas para incentivá-los a adotar um estilo de vida mais ativo. No que diz respeito aos novos arranjos familiares, a pesquisa da Mintel constata que 13% dos consumidores dizem que as propagandas de hoje devem representar melhor a diversidade no Brasil. “As empresas precisam estar atentas à mudança”, alerta Graciana

Para driblar a recessão, os consumidores brasileiros estão explorando modelos de compra alternativos, como compartilhamento e permuta, e, assim, aproveitarem alguns pequenos prazeres da vida. “Alugar um quarto na casa de alguém nas férias ou roupas de grife permite, por exemplo, que se desfrute de alguns luxos sem precisar gastar uma grande quantia de dinheiro. São demandas novas, dos heróis da pechincha, que estão alinhadas com o resto do mundo”, diz Graciana.

Na opinião de Prado, da Plano CDE, o brasileiro já tinha o know-how de pechinchar, mas, agora, voltou potencializado porque o consumidor está mais informado, mais conectado. “A classe média está mais informada e com acesso a carro ou moto. Amigos e vizinhos se juntam para comprar mais barato no atacado e enfrentar a inflação que retornou com força. Hoje em dia, não ficam mais reféns do varejo do bairro”, assinala.

Segundo Luiz Alberto Machado, conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), as mudanças de hábitos pegaram mais as classes média e baixa. “Os restaurantes que servem esses públicos estão sentindo a queda porque a alimentação fora de casa subiu muito, mas os abastados não percebem isso”, ressalta.

No entender da analista da Mintel, a alternativa para vencer a carestia da alimentação fora de casa tem sido a expansão de restaurantes e cafés nos quais o cliente paga o que acha justo ou pode lavar a louça para reduzir a conta, ou bares que aceitam que o consumidor leve comida de casa ou peça lanches em food trucks para se alimentar no local. “São tendências que já encontram referência no Rio, em São Paulo e em Curitiba”, diz.

Efeito da seca

Outra mudança no consumo — denominada Sede de Mais na pesquisa da Mintel — também foi provocada pela crise, neste caso, da hidrologia. Com a grave seca e as questões climáticas, os consumidores começam a descobrir que a adoção de práticas sustentáveis pode ajudá-los com suas finanças. “A falta de água e o aumento da conta de energia obrigaram os brasileiros a buscar produtos mais eficientes para economizar”, explica Graciana.

Fonte: Diário de Pernambuco

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