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15 abr 2018

Como ser um aprendiz de poeta


Por Jr. Fernandes

Para escrever um texto poético, o autor precisa verificar a colocação de cada palavra, sentir sua textura, peso de cada expressão; aferir a dor, a alegria, o pulsar de cada frase, penetrar na dimensão mais íntima da alma das expressões. Ser capaz de burilar a simples observação da vida e transmutá-la num varal colorido de sentimentos. Nesse processo você pode até ser como Don Quixote fantasiando sua luta com os moinhos de vento ou como um filósofo medieval em busca da alquimia das emoções.

O aprendiz de poeta deverá desenvolver um olhar capaz de enxergar o algodão doce dos parques de diversões nas nuvens tenebrosas do céu tempestuoso – o contrário é válido –, deverá ser capaz de tingir um novo amarelo nos girassóis da primavera… abrir-se à percepção da significância íntima das coisas.

O poeta é um ser de outro olhar. Seu arco-íris não é apenas uma faixa colorida no céu; para ele a rosa do jardim não se resumirá ao universo do colibri… todas essas coisas, por exemplo, podem ser tudo que o poeta queira que seja, contanto isso seja significativamente belo.

O objetivo da poesia é ser simplesmente poesia. E ser poesia é ser o belo carregado de emoções. Até mesmo, paradoxalmente, quando a desgraça seja o feio exposto às vísceras. Mas, isso é fácil? Será fácil ser poeta? Se sabiamente achares que não, comece então como aprendiz: treine sua percepção, tentando olhar as coisas sempre por uma nova perspectiva. Não há receitas prontas. Mas, aqui, calha um exemplo:

Nas ruas de Paris havia um mendigo cego, bem conhecido de todos, por haver à mendicância sempre na mesma praça. Sempre pedia esmolas como fazem os cegos no cumprimento de seu mister. Sua vasilha não era muito frequentada por moedas. Até que certo dia um poeta, ao perceber a persistência daquele pobre, pediu para que o ajudasse. Sem opção à recusa, o cego concedeu ao favor. E, assim, o poeta fez, apenas escrevendo algo numa grande folha de papel, que a deixou ao lado. Depois disso, o cego percebia admiravelmente o tilintar das moedas chovendo em sua vasilha, sem ao menos alçar a voz para pedir suas migalhas.

Não se contendo, o pedinte pergunta ao poeta: – o que você fez? Ao que responde: – Nada. Apenas escrevi: “A primavera se aproxima, e mais uma vez não poderei enxergar as flores.”

O poeta é aquele que pode enxergar a poesia através dos olhos de um cego.

Sugestão de imagem para ilustração: Fonte desconhecida.

 

Da Redação – UIRAUNA.NET 

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