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10 mar 2018

A CATEDRAL DOS PÁSSAROS


A cidade de Uiraúna, PB, está em festa, neste dia especial, com a inauguração de expressivo monumento ao pássaro com o mesmo nome dela, conforme o significado do topônimo uiraúna, que tem sua origem no tupi-guarani, no Brasil, como sendo “pássaro preto”.

Ainda criança, trabalhando na lavoura, no Sítio Canadá, daquela cidade, meu pai Vaneir (Volney) cultivava o plantio de arroz, na vazante do majestoso açude de então, e nessa ocasião tive meus primeiros contatos com os “uiraúnas”, que desciam em rebanhos, em forma de nuvem, para atacar a plantação.

Eu não sabia que se tratavam dos famosos pássaros pretos que davam seu nome à cidade, mas presenciava a sua voracidade à procura do apetitoso arroz, ainda cru, plantado por nós, ficando eu e meu irmão Canidé com a dificílima incumbência de pastorear a plantação, em especial na proximidade da colheita, com o auxílio de fundas, uma espécie de atiradeira, e os bolsos cheios de pedrinhas, mas dificilmente se conseguia tanger para longe os bichinhos tão astuciosos e espertos, posto que eles tinham suas estratégias infalíveis para se infiltrar nas partes vulneráveis do nosso campo de visão.

Pois bem, tempos mais recentes, em visita ao Sítio Umbelina, tive a grata surpresa de me deparar com animada e pitoresca reunião desses pássaros pretos, em bando esparramado sobre o denso capim, jamais vistos em toda minha vida, que estavam ali, à beira da cerca e ao longo da estrada, em verdadeira algazarra que me fez lembrar, até com saudade, os velhos tempos do enfadonho e trabalhoso arrozal da minha infância, conforme o registro que fiz de nosso último e festivo reencontro, em duas importantes e inesquecíveis fotografias, que as publico na minha página do facebook.

Também registro que, por duas ocasiões, já tive o prazer de mostrar o meu regozijo em homenagear esses pássaros de rica memória, quando coloquei a sua imagem nas capas de dois livros, os de números 6 e 14, que podem ser vistos na Biblioteca Pública de Uiraúna.

A propósito, não poderia deixar de registrar aqui a minha alegria de ter sido prestigiado com as presenças dos queridos primos Ciro Fernandes e Eudim Fernandes, acompanhados de familiares, na homenagem que prestei ao Grupo Escolar Jovelina Gomes, no mês passado.

Até nisso, o momento dessa homenagem não poderia ter sido mais auspicioso, por ter contado com a participação desses monstros do mundo artístico no evento histórico, justamente por eles serem lembrados como os responsáveis pela construção do monumento conhecido como a “Catedral dos Pássaros”, obra-prima que simboliza a própria cidade e, por certo, a projetará para a história e o mundo artístico, agora com maior intensidade, por se tratar da terra natal desses já famosos e celebrados uiraunenses.

Voltando ao cenário do monumento e dos seus atores principais, tive o prazer de acompanhar o início da carreira desse gênio e mestre Ciro Fernandes, tendo o acompanhado nos trabalhos referentes aos desenhos dos porquinhos e do touro que ainda se encontram na parede da casa que, à época, morava a feliz família da saudosa tia Hormínia, mãe de Zuza, no Sítio Canadá, local onde ele e eu nascemos.

Já naquela época se percebia, com muita facilidade, as enormes vocação artística e capacidade criativa desse fantástico dominador do desenho e da xilogravura, que impressiona com a destreza do domínio da sua rica e difícil arte.

O outro baluarte dessa obra singular e bastante representativa para Uiraúna tem a marca do seu autor, o músico e letrista Eudim Fernandes, um entusiástico e importante contribuidor do engrandecimento dessa cidade, já tendo demonstrado a sua enorme capacidade artística em diversas e memoráveis obras musicais da sua autoria, externando o seu amor à terra natal, como faz agora, com as notáveis voluntariedade e dedicação ao projeto de implementação, desde a concepção até a conclusão dessa belíssima obra artística e cultural, que certamente se traduzirá em grandioso motivo de orgulho para seus conterrâneos, diante da projeção que ela será capaz de suscitar não somente para Uiraúna, mas para o resto do Brasil.

Quanto à obra de arte em si, certamente que os uiraunenses vão ter muito que se gabar dela, por ser presente maravilhoso que ora se inaugura, com as devidas pompas do momento especial, à vista do seu expressivo valor como monumento artístico que há de imprimir estatura de cidade do alto sertão da Paraíba a sediar uma estrutura de esmerado valor artístico, que tem o magistral sinete da marca de Ciro Fernandes, diante da sua singularidade de ter os pássaros que o integram o poder expressivo e mágico de representar o sublime nome da cidade.

Trata-se de obra artisticamente implementada por quem é considerado o papa e ícone da arte que vai se perpetuar no tempo como a mais importante do meio artístico, dos últimos tempos, cujo marco terá o condão de projetar Uiraúna para os olhares dos amantes das obras de arte concebidas e concluídas neste século, diante da sua importância no meio cultural do país.

Posso dizer, com o maior prazer, que prestei valiosa contribuição à disposição dos pássaros no mural, quando, em 31 de janeiro do corrente ano, postei, na Cofemac, o seguinte texto, elogiando a graciosa obra dos renomados primos: “Particularmente, gostaria de saber se, no monumento vai haver revoada de pássaros de forma alheatória, diferentemente dos quadros apresentados nas fotografias (maquete em exposição da FELC), que se apresentam um ao lado do outro, numa métrica perfeita, quando se sabe que eles voam em forma de rebanho, ou seja, um para cada lado, em sentido diferente, que parece que guarda melhor identificação sobre a real revoada deles.”.

Como o aludido comentário já havia sido publicado na Cofemac (31/01/2018), tive a ideia de passar o texto diretamente a Ciro Fernandes, por ocasião da entrega a ele do meu livro, na mencionada homenagem, conforme imagens de vídeo e fotográfica produzidos no evento.

Passados dois dias depois disso, encontrei-me com Ciro Fernandes, na Câmara de Vereadores de Uiraúna, e aproveitei para perguntar se ele havia lido a minha mensagem e ele me respondeu nestes termos: “não só li, como acolhi a sua proposta”.

Com isso, os pássaros ganharam liberdade para voar como eles fazem na natureza, em verdadeira revoada, na forma por mim imaginada, exatamente como consta do mural atual, cuja finalização difere da disposição dos pássaros na planta original, conforme se pode perceber na compara das duas fotografias publicados no meu Facebook.

Ao deixar aqui registrado o referido episódio, penso que prestei relevante contribuição ao aperfeiçoamento dessa suntuosa obra de arte, que perpetuará na história da cidade como verdadeiro presente dos deuses da arte, que vieram do Olimpo para deixar erigido na terra dos “uiraúnas” magnífico templo dedicado ao encantador pássaro preto.

Já agora, ao ensejo de parabenizar meus queridos primos Ciro Fernandes e Eudim Fernandes, pela exitosa conclusão do empreendimento artístico em causa, enaltecendo a sua expressiva relevância cultural para a minha amada Uiraúna, diante da  representação de inédita obra de arte de extrema qualidade estética, sugeri aos seus nobres idealizadores e patrocinadores que o espaço não utilizado nos cantos inferiores esquerdos, em ambos os lados, sejam preenchidos com placas padronizadas, uniformizadas, tanto em termos de material como de tamanho delas, das letras e da quantidade de palavras ou linhas, de modo que seja permitido que somente qualquer filho de Uiraúna possa deixar eternizada bela e representativa mensagem de carinho, apoio, regozijo, agradecimento, amor ao projeto ou algo que possa tocar nos corações das pessoas, para que a catedral seja complementada com a participação do sentimento de humanismo, na sua essência, se agregando a esse monumento que certamente há de contribuir para a transformação da cidade, com a valorização da paisagem singular e extraordinária.

Tenho esperança de que essa importante proposição conta com o expressivo apoio dos uiraunenses, diante do fato de que as placas ou os quadros, de forma simples e discreta, hão de constar, principalmente, aquelas de seus idealizadores e patrocinadores e da sociedade uiraunense interessada em contribuir para o aprimoramento de importante obra da cidade.

Já agora vendo o monumento terminado, veio melhor ideia sobre a utilização não somente seus lados inferiores esquerdos, como havia alvitrado antes, mas apenas a faixa inteira do rodapé, pintada de azul mais forte, para essa finalidade, que não teria, salvo melhor juízo, qualquer interferência na essência da estrutura dos pássaros.

Também senti que seja de bom alvitre que as aludidas placas sejam em quantidade limitada exclusivamente ao espaço aprovado para a sua afixação, sem possibilidade de ampliação posterior, sendo a sua duração de perpetuidade, salvo se houver motivo justo que obrigue a retirada da mensagem, ficando estabelecido que as pessoas que escreverem mensagens ficam obrigadas a contribuir com importância necessária à conservação e à manutenção do monumento, enquanto elas viverem.

A obra em tela será, por certo, marco revolucionário da arte não somente uiraunense, mas de expressão nacional, diante da sua magnitude artística, a ensejar, de logo, o melhor sentimento de alegria que invade nossos corações, diante de algo que, se não proporciona orgulho, projeta em nossas almas a oportunidade de contemplação sobre obra de arte concebida, acalentada, nutrida e consolidada por artista considerado ícone do seu ofício, a qual se tornará, muito em breve, majestosa atração turística de Uiraúna, ante a importância das assinaturas de seus construtores, de fama indiscutivelmente extraordinária.

Em conclusão, posso afirmar que meu coração saltita de alegria no dia especial da inauguração da “Catedral dos Pássaros”, obra de arte que contribui certamente para escancarar as portas por onde Uiraúna há de entrar triunfante para a história do primeiro mundo da cultura artística, por se tratar de monumento com o peso da assinatura do seu filho notável no ofício da xilogravura, por ter se tornado o cardeal de maior expressão nacional, graça ao conjunto da sua esplendorosa obra.

Tenho o maior prazer de cumprimentar e parabenizar cada um dos construtores dessa magnífica estrutura com a simbologia dos pássaros pretos da minha infância, desde o mais humilde operário que preparou a massa para feitura dos pássaros, passando pelos célebres e notáveis artistas e chegando aos seus abnegados colaboradores e patrocinadores, porque seus esforços serão sempre lembrados em nossos corações, por esse marcante presente que jamais será esquecido pelos filhos de Uiraúna.

Meus parabéns!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 10 de março de 2018

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