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29 jul 2015

Caetano e Gil calam sobre política em show para 10 mil pessoas em Israel


534704-970x600-1“Viva, Tel Aviv!”, gritou Gilberto Gil, durante o show em Israel da turnê internacional “Dois Amigos, Um Século de Música”, que estreou em 25 de junho na Europa e celebra os 50 anos de amizade musical entre ele e Caetano Veloso.

Mas, além de mais três gritos de “Canta, Tel Aviv!” durante algumas canções, nem Gil nem Caetano falaram de política (ou qualquer outro assunto) durante a apresentação, que reuniu cerca de 10 mil fãs brasileiros e israelenses na Arena Menora Mivtachim, uma das mais prestigiadas do país.

Como nos shows anteriores da turnê, os dois baianos fizeram um show acústico, sentados em bancos e com violões. Dançaram em alguns momentos, para a alegria da plateia, que ovacionou os músicos e cantou alto com eles. Com exceção de um grito de “Fora, Dilma!” e da retirada de uma mulher bêbada, que gritava da plateia, a apresentação correu calmamente.

Gil e Caetano abriram o concerto com “Back in Bahia” (do disco de Gil “Expresso 2222”, de 1972). O repertório de 24 músicas ainda teve hinos como “Sampa”, “Terra”, “Drão” e “Andar com Fé”. Canções emblemáticas do princípio da carreira dos dois baianos foram ovacionadas, como “Tropicália” e “Coração Vagabundo”, bem como músicas mais recentes, como “Odeio Você” (do disco “Cê”, de 2006, de Caetano).

Os dois voltaram para dois bis, cantando “Domingo no Parque” e “A Luz de Tieta”.

Entre os 18 shows em 11 países da parte europeia da turnê –haverá mais 15 na América Latina–, a apresentação em Tel Aviv foi a que criou mais polêmica depois que ativistas do movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel) pediram seu cancelamento. Roger Waters, ex-baixista e cantor do Pink Floyd, escreveu duas cartas aos colegas pregando o boicote cultural ao país.

Os dois músicos ignoraram os apelos e afirmaram que tocariam em Israel, onde já haviam se apresentado antes. Caetano esteve em Israel três vezes e Gil, “entre oito e nove”, como ele mesmo diz. Mas, em três dias no país, eles decidiram conversar com formadores de opinião locais para ver com os próprios olhos o que acontece na região.

Os dois se reuniram com o ex-primeiro-ministro e presidente de Israel, Shimon Peres, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, em 1994, participaram de um encontro com ONGs de direitos humanos israelenses e palestinas e visitaram uma aldeia palestina no Sul da Cisjordânia.

Na segunda-feira (27), horas antes do show, eles ainda tiveram forças para “turistar” em Jerusalém, segundo tuitou a produtora Paula Lavigne, que tem documentado os bastidores do giro nas redes sociais.

OCUPAÇÃO

Os brasileiros se encontraram com músicos locais, como Idan Reichel, David Broza e Mira Awad. Com Achinoam Nini (conhecida como Noa), Gil até deu uma canja durante um jantar, quando cantaram juntos “A Paz”, que ela traduziu para o hebraico e costuma cantar em seus shows.

Em meio a tantos eventos, Caetano foi mais enfático em relação à sua posição quanto ao conflito entre israelenses e palestinos, pedindo, durante uma entrevista coletiva nesta segunda (27) “um basta à ocupação, à segregação e à opressão”. Se referiu à presença israelense na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental desde a Guerra dos Seis Dias (1967), considerada ilegal pelas Nações Unidas, grande parte da Comunidade Internacional e a esquerda israelense.

Mas continuou a reprovar um boicote cultural a Israel, afirmando que há, no país, pessoas que defendem a coexistência pacífica entre judeus e árabes.

A apresentação teve os ingressos, que custavam de US$ 50 a US$ 200, esgotados rapidamente. Boa parte dos cerca de 12 mil brasileiros que vivem em Israel correram para assegurar lugares. Fãs estrangeiros da música brasileira –muito influente em Israel– também se animaram.

O movimento BDS já conseguiu que artistas como Lauryn Hill, Carlos Santana, Coldplay, Annie Lennox e Elvis Costello boicotassem Israel. Mas falhou em convencer outros, como Robbie Williams, Bon Jovi, Mariah Carey, Rihanna, Madonna, Elton John e Rod Stewart.

Alguns dos principais nomes da música nacional já tocaram em Israel nos 67 anos do país. Além dos próprios Caetano e Gil, pode-se citar Jorge Ben Jor, Gal Costa, Elba Ramalho, Maria Bethânia, Roberto Carlos, Daniela Mercury, Yamandú Costa, Armandinho e Guinga.

Folha de São Paulo 

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