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14 dez 2017

Cadê as pinha do ninho? O misterioso roubo do ninho de pinha


Por Carlos Alves

Sabe aquelas reminiscências que volta e meia surgem loucas para serem escritas, pois, esta é uma delas. Eu não vou me fazer de arrogante, vou expulsá-las para fora de minha mente inquieta e confusa.

Acho que era inverno, sim, era inverno, pelo menos no sertão. Chovia, porque na minha cabeça está tudo verde. A mata, os pés de pinhas, os capins, e as serras que vislumbravam beleza e alegria despertaram minha memória.

Como de costume, juntinhos com o sol, nós despertávamos para colher as pinhas que deixávamos “de vez”, ou seja quase maduras nos pés. O orvalho ainda escorria puro e brilhante, devido os raios de sol que entravam naquelas gotículas de cristal tão misterioso que regozijava a divindade. O orvalho da manhã criança anunciava mais um dia dos pequenos sonhadores: Lúcia, Marcelo e Eu, Carlin de Caititu. Lá estávamos nós mais uma vez pendurados nos pinheiros do meu avô, Luís Felix, prontos pra mais uma escalada. Primeiro comíamos as pinhas maduras, algumas, apenas a metade se segurava nos galhos, já carcomidas pelas abelhas e pássaros, porém isso não era motivo para a gente desprezá-las. Subíamos nos galhos, nos esticávamos dos dedos dos pés aos das mãos até o estalar das costelas para conseguir alcançar as que mais perto do céu ficava, e que talvez por ficar mais próximo ao céu, parecia mais saborosa, doce, imaginaria. Inclinados em finos galhos, mas não muito mais finos que nós, ora a gente conseguia pegar, ora deixávamos cair. Lá se foi o esforço! Aquele desastre rompia bruscamente o equilíbrio dos sibitos baleados. Lúcia era mais nutrida, porém não se arriscava menos. Quem sabe aquelas frutas, o orvalho ou o mesmo o sol não sentiam-se ofuscados com a esplêndida presença das crianças no amanhecer do dia?

Não obstantes, estávamos todos em condições iguais de beleza, simplicidade e cumplicidade: nós e a natureza.

Após acabar com as pinhas maduras, seguíamos o roteiro que a criançada escrevia nessas épocas, era a vez de esconder as pinhas que ainda estavam quase maduras. Devido os buchos cheios, não nos arriscamos em espremê-las entres as pernas: uma ação que força brutalmente a contragosto o amadurecimento delas. Cheios de planos, procuramos um bom esconderijo para esconder as frutas entre as bolas de capins que ali se debruçavam sobre o chão verde. Era fascinante o serviço! No outro dia estávamos certos de saborear, do meu ponto de vista, a fruta mais saboroso do sertão, conhecida em outras regiões como fruta do conde.

Aquele aroma bucólico adocicava o dia. E nós voltamos para casa, certos de que nossas pinhas estavam seguras e nos esperando furiosas pela nossa volta.

Chega o amanhecer do novo dia, a claridade é mesma do dia anterior, todavia parecia ter chovido mais. O sol, apenas ele, além de nós sabia do esconderijo do ninho de pinha. Ansiosos, corremos para o local sem retirar as remelas dos olhos.  Cintilava nos arredores uma estranheza, o local parecia diferente, talvez, pode ter sido por conta da chuva da noite passada. Quando abrimos a “toceira de capim”, nem sinal das pinhas. Será que alguém encontrou, ou será que tinha um traidor entre nós? Lúcia não foi, tenho certeza, pois morávamos na mesma casa. Eu também não. Sobrou Marcelo. Será? Aquela risadinha, os dedos que alisavam o queixo de Visconde de Sabugosa e os olhos dissimulados de Capitu denunciavam o traidor. Mas certeza, certeza eu não tinha. Poderíamos perguntar ao sol, mas se foi à noite, ele não pode ter sido testemunha. Seria bom esperar pela lua e as estrelas para elas nos contar, mas elas também não viram: a noite foi de chuvas e trovões, e que por isso, elas não puderam espiar quem desfez o ninho de pinha. O que a gente deduz é que naquela momento, se não foi um de nós, quem quer que tenha sido, agora estava rindo e comendo nossos esforços, algum tão comum nos dias atuais, já que não falta quem beba do nosso suor e coma das nossas lutas.

 

 

 Da Redação -UIRAUNA.NET 

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