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17 maio 2019

Botijão de gás: entenda aumento e saiba se governo realmente pode baixar o preço


Nos últimos dez anos, o preço médio do chamado gás liquefeito de petróleo (GLP) no Brasil, o popular gás de cozinha, subiu 98,33%. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor do GLP, que é vendido em botijões de 13 quilos, saltou de R$ 34,82 em abril de 2009 para R$ 69,06 em abril deste ano.

Presente em cerca 59,5 milhões de residências brasileiras, ou seja, em 95% do total do País, o valor do botijão de gás praticado no mês passado representa 7% da renda de uma família que recebe um salário mínimo (R$ 998 neste ano).

E continua subindo. Desde o último dia 5, a Petrobras, que é dona de praticamente 100% da distribuição o do combustível no Brasil, reajustou o preço do gás de cozinha nas suas distribuidoras em 3,43% , fazendo com que o produto atinja o maior valor desde o fim de setembro de 2017.

Mas por que o valor do botijão de gás não para de aumentar? E será que a redução no preço pela metade, como prometido pelo atual ministro da Economia , Paulo Guedes, pode mesmo acontecer? Entenda:

Aumento

Para o economista Gilberto Braga, professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), a guinada nos preços do gás de cozinha começou durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), que alterou a política de preços da Petrobras , fazendo com que os preços do petróleo e seus derivados acompanhassem o cenário internacional.

“A formação de preços nacionais é toda mapeada pela Petrobras. Ou seja, cada uma das etapas, lucros, tudo isso tem uma margem mais ou menos fixada pelo governo. O grande aumentador, que geraa diferença, é o preço que vem de fora”, explica.

De acordo com a estatal, o custo final repassado à população brasileira vem da média dos preços praticados nos pontos de venda, que incorpora impostos dos distribuidores e revendedores, mais a médida das cotações dos gases butano e propano no mercado europeu. Ou seja: os reajustes, que são trimestrais desde janeiro de 2018 — política também implementada sob a gestão Temer — consideram “as variações das cotações desses produtos e do câmbio nos doze meses anteriores”.

Leia também: Bolsonaro diz que crise na Venezuela pode afetar preço do combustível no Brasil
Por isso, esclarece Braga, “o custo do produto sobe de acordo com as variações do mercado. Assim, mudanças em políticas dos Estados Unidos e nos mercados árabes, rusgas entre Irã e norte-americanos, por exemplo, vão alterar o preço do botijão .”

Apesar da política de preços implantada no governo Temer aumentar o valor do combustível (quando o ex-presidente assumiu o cargo, em maio de 2016, um botijão de GLP de 13 quilos custava R$ 53,38), o economista elogia a alteração feita em 2018, de ajustes apenas trimestrais: “Com aumentos de três em três meses, mesmo que com preço alto, pelo menos há maior estabilidade. Assim, as famílias conseguem prever por algum período o peso e o custo disso dentro do orçamento”.

Composição do preço do GLP

De acordo com a Petrobras , entre 5 e 11 de maio deste ano, o preço do botijão de gás repassado ao consumidor era composto de 43% de distribuição e revenda; 16% de ICMS; 0,3% Pis/Pasep e COFINS e 38% da produção da própria petroleira.

Proposta de Guedes

  1. Na semana passada, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL)  prometeu anunciar um plano para reduzir o custo da energia no Brasil e, assim, tentar baratear o gás de cozinha . O projeto, que tem sido chamado de “choque de energia barata” por Guedes , prevê três ações diferentes:

    Novas regras regulatórias para a energia no País, lançadas pela ANP;

  2. Privatização de distribuidoras estaduais de gás e  quebra de monopólio da Petrobras no setor;
  3. Facilitação do acesso de empresas concorrentes à rede de gasodutos da estatal e de companhias estaduais de gás.

Segundo o professor e economista do Ibmec, a promessa de diminuição do preço do botijão de gás ainda está muito no plano das ideias, apesar de ser possível. “Se houver quebra do monopólio, o preço realmente poderá cair pela competição, mas não há garantias de que isso realmente vai acontecer”.  Por isso, para Braga, esse é um plano a longo prazo e incerto. “Até agora, é muito mais uma bandeira política do que um plano de governo conhecido”, explica o especialista.

Questionado sobre o que o governo Bolsonaro poderia fazer a curto prazo para resolver o problema, Braga afirma: “não tem muito espaço para mexer no preço a curso prazo, considerando a atual politica de preços praticada pelo governo. Considerando a remuneração de todos os agentes envolvidos na cadeia produtiva do gás de cozinha , não há como fugir do aumento”, ressalta.

Preço médio do gás de cozinha no Brasil ao longo dos anos

Preço médio do gás de cozinha no Brasil ao longo dos anos

Data

Preço

 dez/2001

R$ 18,69

dez/2002

R$ 28,05

dez/2003

R$ 28,80

dez/2004

R$ 29,97

dez/2005

R$ 30,18

dez/2006

R$ 33,02

dez/2007

R$ 32,76

dez/2008

R$ 33,38

dez/2009

R$ 38,21

dez/2010

R$ 38,30

dez/2011

R$ 38,93

dez/2012

R$ 40,12

dez/2013

R$ 42,44

dez/2014

R$ 44,70

dez/2015

R$ 54,07

dez/2016

R$ 55,60

dez/2017

R$ 66,53

dez/2018

R$ 69,35

Fonte: iG

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