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13 jun 2018

Anistia faz ato que marca três meses das mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes


Rio – Manifestantes promovem, nesta quarta-feira, uma ação para pressionar o Ministério Público na busca de respostas sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, que acaba de completar três meses. Em frente à sede do MP, no Centro da cidade, o grupo organizado ergue cartazes em que se lê “Três meses sem respostas”. Um carro de som circula o canteiro em frente ao prédio reproduzindo discursos da vereadora no plenário da Câmara.

A viúva de Marielle, Monica Benicio, falou sobre a importância das manifestações: “Vivemos em um país que tem memória muito curta. Estamos, por exemplo, às vésperas da Copa do Mundo, e não podemos deixar que esse e outros acontecimentos façam com que o caso caia no esquecimento. Queremos justiça para Marielle e Anderson”. Ela também falou sobre a importância de cobrar os órgãos responsáveis pela investigação. “Sendo realista, quanto mais a gente pressiona, mais a gente fica informado. É preciso cobrar respostas e não queremos qualquer respostas, queremos a resposta certa sobre esse caso. Mas apoiamos o trabalho da polícia e de outras instituições. Para o nosso desespero, foi uma execução cometida com muita eficiência, o que dificulta as descobertas e faz com que acreditemos que haja gente muito poderosa por trás”.

O pai de Marielle, Antonio Francisco da Silva, também compareceu. “Minha filha foi brutalmente assassinada há 90 dias e nós não sabemos quem, como e por que fez isso. Precisamos que seja dada uma resposta à altura”, disse. Ele também falou sobre a falta de divulgação de informações sobre a investigação: “Nós entendemos que o delegado que conduz o caso acredite que é necessário um sigilo, mas claro que isso causa angústia na família. E faz com que a gente questione se isso é porque é benéfico para o caso ou se é devido a uma ineficiência nos trabalhos. A gente quer o sigilo, mas exige que essa resposta nos seja dada”.

No fim da manhã, o procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, recebeu a família, a viúva, Renata Neder e Andrea Florence, Coordenadoras da Anistia Internacional. “O ideal é que um caso como esse seja solucionado o mais rápido possível, mas uma investigação dessa magnitude, dessa complexidade, leva um período considerável de tempo. Sem dúvida alguma foi um crime político, tentaram calar uma das maiores, se não a maior representante dos direitos humanos de hoje em dia. E foi um crime cometido de forma muito pensada, de forma muito planejada, de forma muito premeditada. Tentaram calar a comunidade. Precisamos encontrar o verdadeiro culpado, e não qualquer culpado”, declarou Gussem após a reunião.

“Não vai ficar esquecido, nem agora nem nunca. Se não tiver mais ninguém, a mãe dela vai para a rua, porque aquele sangue é o meu sangue, a família da Marielle não vai parar de procurar respostas”, afirmou Antônio Francisco da Silva, pai de Marielle. Mais cedo o pai da vereadora também disse que a mãe ainda chora todos os dias desde o crime.

Miliciano aponta vereador e chefe de milícia

Uma testemunha aponta o chefe de milícia Orlando de Curicica e o vereador Marcello Siciliano (PHS) como os mandantes da morte de Marielle e Anderson. Segundo o homem, que se diz ex-integrante do grupo de Curicica, os dois se encontraram para tramar a morte da parlamentar. Ambos negam qualquer envolvimento no crime.

A vereadora Marielle Franco (Psol) e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados no dia 14 de março, quando ela saía de um evento na Rua dos Inválidos, na Lapa, região central do Rio. Após uma reprodução simulada, foi constatado que a arma utilizada no crime havia sido uma submetralhadora MP5.

Uma arma do mesmo modelo foi encontrada com um miliciano em uma comunidade de Itaguaí, mas uma perícia preliminar apontou que não é mesma usada nas mortes de Marielle e Anderson. Outras submetralhadoras MP5 usadas por forças de segurança do estado passarão por confronto balístico.

 

Fonte: O Dia 

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